28 de dez de 2012

Calendário de Cursos 2013/1




Vou aproveitar o espaço aqui para esclarecer mais o objetivo de cada curso.
O primeiro curso eu tenho uma resenha pronta aqui. Não deixe de ler os feedbacks que colocarei assim que terminar o terceiro módulo, dia 13 de janeiro.

Sobre Dança Egípcia, nós temos:


Com uma intenção bem clara, neste curso eu ofereço a possibilidade de tornar seu solo mais atraente, sem interferir no seu estilo, apenas mostrando ferramentas que podem ser utilizadas na leitura musical. 
Com estas dicas, não significa que o que já faz seja dispensável ou errado, ou o que será passado vai ser muito difícil. Você se surpreenderá como pode ser tranqüilo e eficiente. Inclusive, tudo pode ser agregado àquilo que você já construiu, dando um "plus".
Não perca essa oportunidade.

Há um curso novo, também incorporando bastante teoria, sobre a elaboração de coreografias, com todos os critérios que podemos utilizar para enriquecer sua elaboração e estrutura; também explico o  método de avaliação que uso, que ajuda a corrigir técnica, expressão e interpretação, entre vários outros quesitos. É um curso para bailarinas que já começaram a investir em suas criações, sob agendamento.
Este conteúdo você também vai encontrar no próximo extensivo, bimestral, do Masala, em Porto Alegre, veja os detalhes no blog clicando no nome.
terceiro é de introdução ao tribal, um curso bem prático, com uma carga horária maior e pode ser feito por quem nunca teve contato com esta dança. Nele falarei sobre as referências de estilo, a música, com seus principais ritmos, consciência corporal que é exigida e as principais possibilidades de fusão.
Sobre as aulas quinzenais, você pode ter uma prévia aqui.





27 de dez de 2012

Estar em evidência: uma problemática desapercebida

Uma reclamação que sempre ouço nos bastidores das aulas de dança está relacionada ao estar em evidência, principalmente as professoras em relação às suas alunas.
Gostaria de oportunizar um momento de reflexão a todas que se interessam por este assunto e colaborar para  divulgar a necessidade de perceber melhor o que rola em algumas ocasiões.

prepare-se para mais reflexões...
Primeiramente, quero ressaltar que eu mesma tenho aspectos negativos bastante conscientes, que luto para superar e não gostaria que este assunto soasse como algo que usaria pra me engrandecer sobre os outros ou para compensar minhas falhas, apenas gostaria levantar essa questão para que nossa percepção se fortaleça, contribuindo para a maior qualidade da nossa dança e sua didática de forma geral, já que é uma constante queixa entre as alunas.

Então, lá vou eu de novo, abrir minha boca.
Trata-se de a professora estar em evidência de tal forma, que suas alunas se sentem conscientemente subalternas, provocadas na sua estima e se revelando um mal estar em maiores proporções. Trata-se também de qualquer integrante, que busque evidenciar-se perante seu grupo, mas de uma forma que as outras se sintam alienadas com esse comportamento (diferentemente da pessoa que evita aspectos da própria performance, por receio de parecer exibida; esta realmente precisa se envaidecer mais).
No caso da professora, vamos nos colocar na situação de que ela está sempre muitos passos à nossa frente e costuma ser, naturalmente, nosso modelo feminino na dança. A pergunta é: por que sua performance fora do solo, enquanto integrante no grupo e coreografia, precisa ser tão chamativa e diferenciada, ressaltando a obviedade da sua capacidade física, cênica, quando isso pode ser notado da mesma forma, sutilmente?

Para uma aluna que está construindo ou trabalhando seu bom senso e auto estima, ainda é justificado qualquer desequilíbrio, não significando que o mesmo esteja intrínseco na sua personalidade. Mas falando da situação em si, a ultra-evidência faz com que os humores se alterem e destoem imensamente quando em grupo.

Acredito que como bailarinas, temos até mesmo o dever profissional, de brilhar perante os holofotes, mostrar ao máximo a encantabilidade da nossa arte, tendo no nosso solo a "ferramenta" que responsavelmente viabilizamos  à essa contemplação. E por isso coloco tanta lenha na fogueira da expressão, para que isso tudo possa de fato aparecer. O que é bonito deve ser visto, também individualmente.

um lindo solo é tudo de bom!
Acontece que em grupo, as coisas mudam um pouco. Aprendi isso através da dança tribal: você precisa deixar a de lado sua lantejoula particular e sentir que o brilho que há nela deve ser compartilhado e universalizado com o grupo, para que a coreografia se torne "uníssona".
A verdade é que nenhuma das partes deve brilhar mais que a outra de maneira proposital. É necessário uma certa doação ou desapego nesse sentido: saber que você faz um passo muito bem, não significa que tem que ser feito do seu jeito. Não precisa ser feito do jeito errado, obviamente, mas com uma intensidade diferente.
Se o grupo ainda age de uma forma muito sutil com seus movimentos, a menos que ele se adapte fielmente à proposta contrária, vale a pena captar essa energia mais comedida para tentar, aos poucos, equilibrar a intenção, devagar, todas juntas, como um organismo se desenvolve progressivamente. Mais do que isso é forçar a barra, e isso aparece demais. A professora ou a integrante que acabam por não se render a esta idéia, colocam tudo a perder, mesmo com o melhor movimento ou a melhor expressão. Não é legal fazer a galera "sumir" de cena, em função do seu brilho imenso.

Narcisa na hora certa, frô!

Então não há nenhuma boa forma de se evidenciar? Sim, tem os momentos! Fundamentalmente, ao realizar algo mais difícil que esteja no contexto coreográfico, mais em caso de necessidade, mesmo.
Acho muito bonito e interessante as coreografias onde as profes estão bem camufladinhas, nem sempre na frente ou no centro, mas interagindo igual e com o mesmo papel das demais, com equilíbrio na intenção e na qualidade dos movimentos.

"Somos pétalas de uma única flor"
Agora, mudando um pouco a linha, mas que tem a ver também, tenho mais duas propostas de melhoria que acho que vale a pena colocar: esse lance de "o melhor vem no final", nos shows de dança do ventre, tem me incomodado bastante. É como se o aquilo vem primeiro servisse de degrau para Sua Majestade, que entra em cena e "quebra tudo", como se o anterior fosse dispensável. Essas hierarquias de shows precisam mudar urgentemente! A temática é mais importante, e não impede a presença antecipada da "bailarina principal" em meio ao corpo de baile. Uma questão de ética. Aliás, corpo de baile é uma expressão que deve ser mais usada e respeitada entre nós. Vamos acabar com essa coisa de tratar aluna como "súdita"! Se você já foi tratada assim, sabe a merda que é. Não perpetue este comportamento.




E em segundo lugar, não menos importante, o lance da divulgação. Vamos ter mais atenção nisso, pessoal. Tudo bem não querer pagar um profissional qualificado (eu seria suspeita em dizer que sim, pois sou designer tb) mas existem critérios que precisamos respeitar com carinho, no que diz respeito à sua imagem e a dos outros.
Bom senso. Menos é mais.
Para as profes: ou sai sozinha no cartaz ou sai com o seu grupo e suas convidadas no mesmo tamanho, em fotos não apelativas e com alta resolução. Quando digo não apelativa, quero dizer que você não será confundida com propaganda de lingerie ou de massagem for men.  Deu pra entender, né, baby? Pega leve no peitão, naquele pernão rua afora, aquela pose com cara de perigosa...hehehe!!!!

Neste momento, analise friamente e em terceira pessoa, com uma vaidade moderada. A foto tem que ser bonita, pode ser um pouco sexy e tal, mas pense naquelas pessoas que nunca te viram, não conhecem bem a dança  e vão ver você no cartaz: a primeira impressão é altamente comprometedora e pode acabar com a imagem de um show inteiro.
E pra  finalizar: boas fontes (letras), boas cores, sem informação demais ou fotos demais. Aliás, quer saber, fia? Manda fazer mesmo. Escolhe um profissional, avalia o portfolio, dá as coordenadas e paga. O mesmo vale para edição de músicas: dificilmente vai se arrepender.

Bom, depois destas dicas eu espero que a quantidade de reclamações se atenue!!! Quero ver alunas felizes, não só as minhas, mas as suas também, pois juntas, nós somos a Dança!!!!
Beijossss!




10 de dez de 2012

Vida de bailarina


Anuncio feliz a notícia boa de hoje: minhas queridas amigas e colegas do grupo Masala foram indicadas ao Prêmio Açorianos, um dos maiores prêmios artísticos da nossa região. Quero falar um pouco sobre elas, Bruna Gomes e Fernanda Z. Razi, com muita emoção estou agora, pois me vem na memória tudo aquilo que passamos juntas na nossa caminhada na dança, sempre em busca de um espaço, tentando buscar inspiração para uma arte que sempre nos trouxe tanta satisfação como artistas, mas que nos exigiu sempre um esforço enorme, nosso e de nossas famílias e alunas, para que pudéssemos continuar a carregá-la no colo até que ela pudesse nos carregar um dia...

Muitos micos, muitos desafios, alguns desentendimentos (sempre esclarecidos), muitas falhas, muitas dores, domingos inteiros, muitas noites, nenês chorando, maridos de beiço, babás, vovós cheias de bala, fuscas voadores, viagens intermináveis de trem e ônibus, tudo na verdade maravilhoso quando conquistamos algo mais, e somos humildes, pois o máximo que pedimos em troca é consideração e presença, para contemplar por breves momentos o trabalho de muito tempo de perseverança e cumplicidade com esta arte.

É por  tudo isso que sabemos, pelos nossos encontros, pelas alunas maravilhosas, nossas Pandoras que abriram suas caixas pra nós e viabilizamos mostrar seu conteúdo, pela audácia que temos ao querer que essas caixas sejam abertas e revelem suas maravilhas, seus medos e limitações, para que juntas possamos desafiá-los e transformá-los, por tantas idéias que criam forma, volume e corpo...
...Que eu quero, minhas colegas queridas ( me tornei um ser muito ordinário):  pois não estou satisfeita só com essa indicação. Simplesmente alguma de vocês têm que ganhar. Pro inferno que tem trocentas outras danças ótimas e outros artistas. Eu desejo ardentemente que vocês ganhem.

Mesmo não estando junto no cenário atual, tudo isso que vi vocês construírem me traz um sentimento muito interessante, de que todas as apostas foram ganhas, todas as sementes deram bons frutos e sim, todas as  idéias malucas são muito sérias. E você, Bruna Gomes, deve perpetuar isso. Me identifico contigo pelos mesmos anseios, por nossas pequenas revoltas, por sermos mães e esposas, por gostarmos tanto de se divertir trabalhando e sentir que as pessoas que estão conosco nestes determinados momentos, ao menos, sentem a vida um pouco mais leve. O que sai das tuas mãos revela uma sinapse com a música e com a mente das pessoas que elas passam a reconhecer uma harmonia antes misteriosa dentro delas, que nem haviam se dado conta.  A tua criatividade, beleza e ousadia não existem em outra bailarina.

Fernanda, seu nome deveria significar "aquela que segue o rumo do seu coração". Se encaixa perfeitamente contigo: sua fé, força interior, perseverança, comprometimento (a Fê trabalha como se fosse numa empresa: prestando conta e batendo ponto, sempre no horário e levantando cedo), te fará uma grande mestra. Apesar da tua humildade exemplar, sei que o universo trabalha para isso e assim será, com todo respeito e merecimento. E toda sua criação que se materializa, tem uma qualidade e uma convicção que não se encontra em outro lugar. É a perfeita ordem de tudo aquilo que queremos ver.

A riqueza da individualidade de vocês, quando se compartilha e se exterioriza, se transforma em genialidade. Por isso nasceram e vivem como artistas. Nada é por acaso. Amo vocês. Saudade!!!

8 de dez de 2012

Mais sensualidade...

Olha só, essa questão da sensualidade é muito interessante mesmo! No ponto de vista de algumas artistas, a sensualidade e o erotismo não são características fundamentais na dança e acho que entendi o por quê elas tem essa opinião.
Como já disse antes, este aspecto ainda se encontra como um tabu, como se o "sentir" a dança passasse sempre longe desse conceito. Há alguns tempos atrás talvez eu concordasse inteiramente, mas do alto dos 33 anos sendo um terço deles dançando, eu percebi que a própria atitude de dançar, a busca pelo aprendizado e inclusive o ensino da dança são de uma pureza instintiva, uma natureza feminina muito erótica no sentido de conquistar-se, e, mesmo inconscientemente, a bailarina deseja um feedback, um retorno dessa capacidade, como uma afirmação, talvez por isso, a importância do reconhecimento e do aplauso.

Aí você diria que dança para si e não para os outros, que sua dança é uma ligação com algo maior, mais elevado e eu concordo, mas no momento em que se entra em fluxo com a música, a sensação pode ser orgástica ou resultado de uma grande translação/sublimação, acabamos por confundir um pouco as coisas, sendo que tudo vem de uma raiz. Existe prazer espiritual no louvor, na reverência, no fluxo.
 Como explicar o prazer que se sente ao dançar, de onde vem, qual a raiz?
A conclusão que eu cheguei é que mesmo tendo por objetivo um envolvimento mais espiritual, um propósito "sem impurezas mundanas", a forma de canalizar esta energia vem de um aspecto muito primitivo que tem a ver com a busca pelo prazer instintivo (ou libido, sim), que move o ser humano a ser criativo e buscar diversas orientações artísticas, profissionais e sexuais  para se satisfazer e continuar na busca pela auto realização. Tudo começa no chacra básico (ou cardíaco), mas não há como pular um ou outro quando o objetivo é realinhar, equilibrar, alcançar determinado nível.

Arte é a mistura do racional com o intuitivo, um sem o outro dá em nada. Então não há dança sem libido, sem uma paixão que move, sem volúpia. É nesse sentido a sensualidade que falo, que pode e deve ser exteriorizada, e não a figura da bailarina estonteante que seduz sexualmente com este propósito consciente. Agora, é importante reconhecer a existência deste arquétipo para a analisá-lo e recolher pontos positivos a favor de quem não tem um acesso claro sobre como trazer à tona e conscientemente a livre expressão de prazer ao dançar. Encaremos isso não como via de regra, mas como uma alternativa, uma possibilidade, que nos dê um ponto de partida mais esclarecedor sobre a auto expressão.

4 de dez de 2012

Dança do ventre, sensualidade e vulgaridade 2 (continuação)

Continuando o texto anterior (por favor não deixem de ler o primeiro para sua melhor compreensão), resumo brevemente que falava de caracteres da dança genuinamente egípcia.
O que você percebe vendo estes exemplos nos vídeos? Por acaso há alguém ali tímido, receoso ou cheio de pudores? Com certeza isso não será encontrado, nem mesmo se fosse dança báladi, sem apelos e considerada uma conexão "patriótica" da música com a bailarina.

A sensualidade, de forma saudável, faz-se necessária. Esse tempero mais abusado que vemos nos egípcios pode ser reconhecido como uma elevada segurança e auto-estima, mais do que isso, verdadeira paixão e admiração por si mesmo e que conseguem demonstrar para nós, contagiando-nos.
Eu só consigo ver isso nos egípcios. Cada um do seu jeitinho. Uma interpretação única e muito pessoal.
O que se pode ver além de alegria, personalidade, meiguice e forte identidade é uma perfeita falta de vergonha de ser quem é, e nenhum deles está nem aí, se alguém os imagina entre quatro paredes ou não (eles sugerem  bom desempenho, rsrsrs). Talvez  na dança com mais "sex-appeal", se crie uma atitude relativa, porém este não é o objetivo deles e nem o nosso, ao assistir. Realmente não nos interessa julgar isso através da dança, mas entendemos integralmente o quanto são mais ou menos"sexy".

Eles realizam um trabalho com a dança onde não há ênfase para a sedução individual, direta: ela se distribui coletivamente. Criam um vínculo mútuo de atenção e conseguem manter-se harmônicos, numa troca contínua  e atingem uma boa captação (rapport, na psicologia) e oferecem à nossa visão aquilo que queremos ver. Não desperdiçam seu charme com conversa fiada e mandam ver, encantando e ao mesmo tempo, mantendo uma relativa distância (artista - platéia), chamando nossa atenção por seu imenso carisma. Maravilhosos desavergonhados! Tudo no bom sentido.

O charme está na conquista. Como transformar sua dança numa verdadeira conquista? Como você faz, quando está apaixonado ou flertando, quando quer uma resposta positiva? Se sair agredindo, nem sempre leva e se embromar demais, cansa.
Então se o negócio é ir pelas beiradinhas: faça sua dança assim, e observe. Use seus instintos e seus sentidos! Aproveite as ferramentas que possui, não só aquilo que você vê em aula ou em vídeo. Tente ir além, pois você é quem se conhece e transmitir um pouquinho dessa intimidade é que faz a diferença.

Em contrapartida, desequilíbrios são, de certa forma, essenciais para conseguirmos alcançar um meio termo. A fase do estrelismo, por exemplo, nos coloca numa ansiedade muito forte, num ímpeto de querermos mostrar o máximo de tudo que sabemos, revelamos uma avalanche de informações que às vezes intimida, quando não agride. Ainda não temos o senso do harmônico, e abalar se torna uma obstinação.
A vulgaridade está numa linha tênue com a sensualidade e esse é um momento perigoso, acaba-se por acelerar o tempo de maturação das coisas em função do desejo de ser notável. E não se julgue por se sentir nesta ansiedade um dia, pois isso é muito natural nesta dança, que lida tanto com nosso eu feminino e vaidoso. O importante é ter alguém que ajude a reconhecer este momento impetuoso, para ter uma boa passagem nesta fase, sem "torras de filme" ou desvalorização profissional. Não desmereça possíveis críticas, nada é por acaso.

Do contrário, a fase "querida" é muito boa e educativa, mas acredito que não deve durar para sempre, pois acabaria mais como máscara do que como realidade.  A vida nos exige mais atitude e personalidade com o passar do tempo e a cada ciclo de dança (pois paramos às vezes e recomeçamos) percebemos o quanto de nós fica e o quanto precisamos mudar. Muitas vezes esta mudança é como a que se sofre num relacionamento de longos anos, quando principalmente a "esposa ideal" descobre que se não tivesse sido tão perfeita e conivente é que seria, de fato, ideal. O casamento com a dança não é diferente.
E na busca de uma identidade e do carisma, encontramos aquela a quem calamos, seja ela a bruxa, a mártir, a donzela, a fada ou a amante sensual. Tudo é uma questão de oportunidade e autoconhecimento. Na verdade precisamos de todas! Qual seu momento, então? Qual delas precisa despertar?

3 de dez de 2012

Dança do ventre, sensualidade e vulgaridade

Hoje o assunto é delicado, íntimo. Dedicado às meninas que dançam, desde as mais preocupadas até a mais  "determinadas" no assunto sedução. Tudo começa no primeiro contato: a primeira impressão que se tem da primeira bailarina que se vê. Talvez pela vestimenta ou pelo movimento audacioso, a fama é sempre a de que a bailarina é a perfeita amante, a mulher perigosa, destruidora de lares, então cuidado. E para a mulher casada que aprender, a finalidade é dançar para o marido. A parte artística praticamente inexiste, a intenção é a sedução, seguida de uma verdadeira noitada digna do mais pervertido harém.
Que enganação. Se esta fosse a promessa, os processos judiciais e divórcios seriam absurdos, tamanha seria a quantidade. Não que como bailarinas não sejamos suficientemente boas mulheres nesse sentido (rsrs), mas por que acredito que sejamos tão normais quanto as outras que não compartilham da mesma atividade dançante.
O que temos atualmente é uma verdadeira guerra interna, no sentido de que as bailarinas artistas se preocupam com essa imagem displicente e preconceituosa do povo com quem faz dança. E nós mesmas acabamos nos tornando preconceituosas consigo mesmas, absorvendo um medo externo de julgamentos e más interpretações, atenuando nossa capacidade feminina de sedução natural ou "extirpando o próprio clitóris" como se fôssemos seres assexuados na dança, não permitindo-se revelar um minimo quê mais charmoso e tolindo absolutamente qualquer forma de expressão que leve à imagem de alguém que sente prazer com sexo ou dança.
Agora vem a minha preocupação. Após anos levantando a bandeira para o "fechamento do harém", a maturidade talvez tenha começado a revelar algumas coisas que me levaram a pensar com menos rigidez sobre o assunto. A questão é que nenhum dos extremos de fato funciona bem. Simplesmente caiu a ficha de que não há como negligenciar  por muito tempo a "pin up" que existe em nós. Ela não precisa ser evidente demais, mas não pode ser silenciada totalmente. Isso influencia diretamente até na execução dos movimentos. Se você exteriorizou a pin-up, pode estar tateando o limite do abusivo, do desnecessário, do gratuito. Se ela está calada, você pode estar sentindo algo meio sem sal, sentindo que falta algum tempero, faz movimentos muito sutis para sua real capacidade, ou muito trancados, sem ondulações ou sem maiores ousadias.
E o que eu poderia de fato, contribuir nesse aspecto, só com algumas com palavras? Por que resolvi inserir este assunto?
Por que a dança do ventre e a psiquê das mulheres está intimamente ligada, cada vez mais percebo o quanto. E a sexualidade de cada pessoa, a maneira como ela está resolvida ou como é tratada, pode vir à tona numa dança como esta, nem sempre de forma tão sutil. Isso das duas formas que citei acima e também de forma equilibrada, quando o dançar flui melhor e mais naturalmente, sem tantos obstáculos expressivos ou bloqueios físicos.
Observo muito as bailarinas a partir de seus territórios. Bailarinas russas tem um tipo de expressão corporal, as americanas tem outro, as egípcias tem outro. Devido á sua história, incluindo sua política, nós temos uma memória incorporada no inconsciente coletivo relacionada á tradição de cada povo, a maneira como trata suas mulheres, o quanto elas sofreram e tudo que aprenderam no seu dia a dia. Observe isso, hoje em dia com o you tube é possível analisar até bailarinas secretas afegãs. Sem exagero.
 Aqui no Brasil nossa cultura dentro do universo feminino se divide em blocos. Existe a liberdade sexual, a repressão sexual familiar, a repressão social profissional, os abusos, a mídia apelativa, a assexualidade, a boa conduta, o bom senso e o senso de coisa alguma. Nessa miscelânea podemos acrescentar a bailarina, que atua se expressando de acordo com seu meio.
Uma das coisas que me chama a atenção é que a mulher oriental, fora fanatismos religiosos posteriores, é muito aclamada por sua beleza, seus dotes, está sempre presente de alguma forma reverenciada na poesia árabe clássica.  Esse romantismo, explicito e saudosista, evoca a mulher sensual sem que ela seja vulgar ou frívola, mas sim como algo que tenha que ser conquistado. O que ela mostra é o que ela é, sem ultrajes, e na bailarina almée antiga podemos sentir a sua sensualidade de forma mais leve, mas sempre presente. As mais audaciosas eram ciganonas, geralmente utilizando sua dança como ferramenta de trabalho, se é que me entendem, mostrando-nos que há uma parte da dança que sim, era utilizada para o comércio sexual. Essa história da dança é bem interessante e vai um pouco além da nostalgia que preferimos divulgar (talvez nos enganar) sobre a origem da dança como algo exclusivamente místico ou espiritual. Bom pra refletir.


Tendo-nos influenciado por espontânea vontade nessa bailarina mais artística, talvez tenhamos ocultado sua outra face, de espevitada gawazee. E sem nada dela presente ao agraciar nossa dança, estamos descaracterizando nosso poder de sedução e deslocando-o covardemente para, talvez com sorte, um dia, rebuscá-lo. E não venham me dizer que a Souher Zaki não era uma gostosona enrustida, por que vi vários vídeos dela com um olhar ferino, chegando bem perto da galera com aquele quadrilzão poderoso. Como assim ela não era provocativa? Bem de canto, quase despercebido, mas era sim, com todo o respeito.
Nas bailarinas egípcias existe um deboche, uma coisa que só vejo nelas (e no Tito Seif com muita clareza) e nisso são mestres, pois usam a sensualidade ao seu favor sem ser vulgar, parece que tudo é só brincadeirinha. Você vai ver isso num shaabi, por exemplo. Mas procura um egípcio, por favor, e entenda do que eu falo.
http://www.youtube.com/watch?v=hhrwKiLc48o:
Nabaweya Mostafa, estilo folclórico, rústico
http://www.youtube.com/watch?v=VauXwyJhfmk :
Tito e Randa, dois egípcios tops da atualidade

Haverá a segunda parte desse assunto...não desista, tem pano pra manga!

28 de nov de 2012

Dança e psiquê


Ainda no contexto da dança, fui buscar em algumas fontes relacionadas a este universo algumas referências importantes que podem vir a fundamentar ou justificar linhas de raciocínio que compartilho quando o assunto é dança. Essas colocações e pesquisas que faço acrescentam muito no trabalho com a dança, no meu ponto de vista, no qual me coloco como responsável artisticamente, atuando como agente transformadora tanto de forma presencial como numa mídia formadora de opinião.
Tenho recebido vários feedbacks sobre aquilo que escrevo e não só de pessoas próximas ou “suspeitas” por serem colegas ou alunas, mas também anônimas, (inclusive nem sempre se tratando de críticas positivas) mas que me ajudaram a pensar melhor sobre a maneira de se dirigir a um público incerto. O mais legal desta história é descobrir posteriormente que aquilo que foi escrito despertou em alguém o objetivo que inicialmente havia intencionado e que foi muito além do que se imagina, pessoas antes desconhecidas pessoalmente se sentiram tocadas  e que depois de conhecê-las trouxeram com elas algumas passagens dos textos aqui escritos.
Dada esta importância me vejo a insistir, com maior atenção, em escrever sobre os insights que tenho e revelar o que consigo, de forma o mais clara possível, conteúdos interessantes sobre as pesquisas que faço inicialmente por mim mesma, mas que quando começo a identificar ligações com aquilo que pode abrir nossas mentes, julgo necessário compartilhar. E o fruto depois se revela.
Esta semana fiquei muito contente em ver num blog de dança tribal um artigo bastante completo sobre Ruth St Denis, e uma das coisas que quero voltar lá pra ler com atenção é o sobre seu método, pioneiro na adaptação da espiritualidade como ferramenta para uma melhor atuação artística. Ela acreditava que se o bailarino fosse um ser mais espiritualizado a sua dança teria mais qualidade. Nada mal!O blog é o http://tribalmind.blogspot.com.br/2012/11/great-women-in-history-ruth-st-denis.html.



Também estou lendo uma publicação maravilhosa sobre Pina Baush e uma análise comparativa da sua abordagem com a psicanálise de Freud. Ainda não terminei, mas o que pude conhecer sobre o pensamento Baushiano aplicado em sua didática revolucionária tem me trazido vários desses “insights”.  Uma das coisas que me identifiquei foi com a descoberta de como ela lidava com a coreografia (apesar de ser dança moderna, pós ballet clássico) de maneira totalmente diferente do convencional. Acredito que assim como numa terapia, ela buscava alcançar algumas fragilidades, sentimentos enraizados em seus bailarinos através da conversa ou da simples divagação, conhecendo profundamente cada um deles e buscando ao máximo trazer à tona tudo aquilo que julgasse necessário para que houvesse uma transformação da técnica para a expressão livre.
*“...Para Bausch, a consciência corporal aproxima-se mais de uma
inconsciência corporal, no sentido de visitar espaços onde o afeto se deu
e reviver os sentimentos gerados. Ou seja, elaborar ressignificações. Os
caminhos da coreógrafa são sempre pontilhados, abertos, com várias
possibilidades de entrada e saída. Nesse processo, os paradoxos, erros,
incertezas, experimentações não são sinais de fraqueza, mas sim de que
a vida está presente.”

Também utilizava técnicas de repetição, mas não para aperfeiçoamento coreográfico no sentido técnico e sim expressivo (o que eu achei o máximo): a repetição ligada ao erro. Pura e simplesmente, ela captava os momentos de maior “desestabilidade” e usava isso a favor da dança, adaptando o “erro” à identidade do bailarino. Coisas assim fazem a gente pensar: “como não descobri isso antes?” e nos mostram o porque certas pessoas tem a genialidade tão reconhecida.
A seguir, com meus estudos “contemporâneos” quem sabe poderei adaptar esse método para nossa realidade atual. Terminando de ler a publicação, serão mais descobertas interessantes, pois chegarei na conclusão que vai explicar toda a simbiose da didática de Pina com a psicanálise. Ui, anda logo, titia!!! Até loguinho...

* A dança da mente, Maria Tereza Furtado Travi. EdiPUC, RS

25 de nov de 2012

Silêncio e impacto: ferramentas básicas

Normalmente eu reservo este tipo de assunto mais específico ao conteúdo das aulas, mas como ele não é tão facilmente metabolizado, vale a pena uma reflexão prévia que contribuirá efetivamente para a melhor compreensão do seu uso, que é na minha opinião, um requisito fundamental para uma boa dança: a atitude, que se revela na excelente utilização do silêncio do movimento e da aceleração/desaceleração do mesmo.
O excesso contínuo de força, impacto ou suavidade sem variação freqüente são responsáveis por aquela sensação de estar faltando um tempero, isso quando não fica maçante.
É erradíssimo pensar que, ao desenvolver o aspecto da força ou da velocidade continuamente em escala progressiva, isso se torna proporcional à qualidade da dança. Uma dança excessivamente firme sem tranquilidade e sinuosidade suficientes, massiva em impacto, desanima tanto quanto a mais delicada.
A melhor forma de exercer o equilíbrio neste caso é usar o bom senso e pedir a opinião das pessoas. Se você não puder fazer uma análise da sua dança em uma aula presencial, tente recomendações de vídeos que tragam estes elementos importantes para que possa vê-los na íntegra. São muitos exemplos em vários estilos de dança.
Se você algum dia já notou que, ao sair do palco a resposta do público não foi a esperada, tenha duas formas de compreeder a situação: ou você teve um público muito desanimado meeesmo ou...provavelmente, você não captou atenção. Fez tudo direitinho? Pois é, fia, talvez o problema seja este...


A leitura musical é impecável, tudo no ritmo, postura correta, coreografia pronta. Mas será que tem realmente, algum momento especial entre esses passos pra surpreender o pessoal? Será que você não está escondendo o jogo demais com medo de ousar? Nunca deu vontade de parar tudo e gritar pra acordarem e começar a bater palma?
Ou você está muito agressiva, ou rápida ou desconcertada e sua dança virou um soco, ou a movimentação está muito caída, lenta, superficial, fraca.

                                                               Olha a impressão que dá.


E olha como o povo fica.


Então cara amiga. Pegue toda essa vontade e mate a pau logo. Faça alguma coisa que os deixe curiosos ou abismados. Claro que não precisa baixar as calças. Apenas crie momentos mais interessantes, que prendam a atenção e façam querer ver sua dança até o final, com motivação. As pessoas querem lhe conhecer, mas você precisa ter a iniciativa pra isso, pois é a artista que se propõe a entreter.
A criação destes momentos tem dois elementos essenciais que chamo de silêncio de movimento (paralisação) e sua retomada através de um movimento intenso-lento, ou intenso-impactante ou acelerado.

                                      É como uma gota lá do alto, sobre a água parada. De repente...

                 
                                        E alguém na multidão abre os olhos e pensa: "Opa!?...."

Nem tudo na música precisa ser seguido à risca ou ainda, você pode escolher momentos em que o ritmo pode ser desdobrado. Além de poder seguir só aquele instrumento ou batida menos sobressalente. Infelizmente uma melhor compreensão disso tudo precisa ser presencial, é necessário estudar seqüências bem especificas para obter claros exemplos desta utilização. Mesmo assim espero que valha a dica para utilizar melhor esta ferramenta. Você poderá inclusive usá-la em algo já construído, acrescentando na sua matemática coreográfica alguns momentos de destaque, sem mudar nada. E não necessariamente em tribal (o tribal utiliza essa técnica com maestria, pois tem intrínseca em seu conceito, assim como a limpeza do movimento). Na dança do ventre normal ela é ainda mais necessária e precisa ser uma idéia mais amadurecida através do estudo dos ritmos na música árabe clássica, em especial no wahda tawil. No shaabi, esses momentos são ainda mais essenciais, pois é o que vai dar gosto de ver, o que vai caracterizar toda a malícia, a alegria  e o charme do estilo.
Queridas, queria dar mais umas pinceladas, mas voltarei com mais conteúdos bacanas, me aguardem. E por favor, entrem em contato se precisarem de algum toque. Beijão!!!



18 de nov de 2012

Danças e periferias



Mais maravilhoso que discutir um assunto de dança, tanto quanto praticá-la, é quando se cruzam as idéias e os propósito em universos paralelos. Periferia, eu chamo este texto, pela universalidade do termo, "tudo que está em redor". E tudo que possamos imaginar pode acontecer ao redor da dança do ventre, ao redor da dança contemporânea, ambas danças libertadoras, porém com pontos de vista que se perdem num caminho sem fim. Duas mulheres complexas. Uma visionária, outra apegada às suas raízes, atrás de excelência, disciplina e liberdade, de maneira complementar. Uma quer algo que a outra tem e as duas tem problemas parecidos.

A dança contemporânea partiu da revolta com a dança moderna (esta que se revoltou com o ballet clássico por sua disciplina rígida, desconfortável, excessivamente técnica, mas que no fim acabou adotando também). Dança livre, tem nessa principal característica a sua beleza e seu drama. Seu viés é aquilo que lhe determina: o excesso de liberdade e a ausência de regras que viabiliza o excesso, tendo como "autêntica" dança contemporânea aquilo que chamaríamos de uma encenação qualquer, menos dança em si. Há contradições acerca do que se determina dança contemporânea, a sua expressão como "não atitude" incomoda os mais ortodoxos, e seus excessos e ousadias acabam descaracterizando o que poderia ser mais belo e menos excêntrico. A falta de limites certamente é um problema na educação. E na dança também, pois a liberdade e a arte não se limitam ao belo e ao correto, nem devem . Só falta uma coisinha, chamada bom senso.



A dança do ventre nutre suas raízes egípcias e busca autenticidade fora de seu espaço natal. É a feminilidade em dança e ilustra em suas bailarinas questões sociológicas, políticas e culturais, seus anseios, ternuras e medos, porém tudo muito dissimulado. Ela se universalizou, tornando-se uma mulher decidida e capitalista, de véus agressivos e sem calcinhas. Ela é fraterna e acolhedora: exige pouco espaço, pouca energia, aceita brilhos e agrados (mas nem sempre quem vê aceita apenas isso). Seu maior conflito é uma fuga da dissimulação (excesso de cópias e rigidez emocional durante a interpretação)  resultante da falta de identidade, experiência e interatividade contínua. Há oportunismos imensos envolvidos na questão de performances e shows que se traduzem em baixa estima, impulsividade e desvalorização.

Quem também surgiu de um desconforto com o modelo convencional da dança do ventre foi a dança tribal. Adotou em seus movimentos mais androginia, mais contradições, agregou mais elementos de outras danças, tornando-a um pouco mais liberta, sem perder a disciplina. Como toda dança que nasce de uma revolta, ela tem sede, tem fome, cresce rápido. É uma mulher moderna , mas que se foca no seu interior e nas possibilidades. Nela ainda tenho mais esperança de encontrar mudanças que a valorizem e mantenham em constante transformação.
Na busca de alimentar essa característica busco a dança contemporânea.


O que será fusionado? Elementos com novas leituras e possibilidades, um corpo mais livre, mais fiel à uma temática e longe de qualquer ditadura (desde que haja uma determinada qualidade de movimento).
Imagine você poder criar uma história no cenário da dança oriental, mas com características que a torne melhor fundamentada e interpretada, com uma corporalidade mais disciplinada: uma perna mais alta sem que sua finalidade seja apenas estética externa, um movimento de chão que não seja apenas para mostrar habilidades abdominais... Possibilidades de trabalhar repertórios menos batidos e subjetivos, ou ainda, transformar os famosíssimos "quatro elementos" em algo muito mais aproveitável do que a simples caracterização...sem querer desprezar nossas raízes , mas falta conteúdo nesse propósito, não concorda?...
Enfim, uma mente aberta agrega valores àquilo que já os possui de forma tradicional e não descaracteriza sem uma boa convicção. A intenção é de enriquecimento. Um artista satisfeito ainda não é um bom artista, este nunca se completa, pois está em constante inquietude!


Este próximo ano, 2013, certamente vai nos exigir uma maturidade absurda em termos de humanização, e isto será muito bom para classe artística alçar vôos maiores. É o momento de parar de pensar de forma individualista e compreender de vez o por quê a coisa não vai pra frente. Para nós da dança, vale a pena trocar de lugar com a platéia e exigir-se mais em conteúdo e objetividade.


Os professores terão necessidade de ser menos coniventes com seus alunos "investidores", abrindo seus olhos para descobrir de fato suas reais habilidades e limitações, ultrapassando um pouco seu senso crítico convencional, mesmo que isso signifique tocar em algumas feridas. A sinceridade e o desprendimento do professor é que faz o aluno evoluir. Isso é uma escolha do aluno, acatar as críticas construtivas para seu crescimento ou magoar-se, fechar-se em si com suas justificativas e seu orgulho para então abandonar o barco. O que não devemos esquecer é que o professor é quem tem o dever de viabilizar esses "conflitos" com o ego do aluno e não ajudar a alimentá-lo ao preço de uma mensalidade, por medo de perdê-lo.
Passada esta fase de confrontos psicológicos, o retorno para ambos tem um valor infindável, a confiança e o vínculo se fortalecem. Este professor vai te dar caminhos para alcançar sua própria verdade. Porque:

..."Há apenas um de você em todos os tempos, essa expressão é única. E se você se bloquear, nunca vai existir em qualquer outro meio e será perdido."
Martha Graham

31 de out de 2012

A ocasião faz a indiferença


Mão na consciência

Faz um tempo que eu queria escrever algo sobre isso e não encontrava a oportunidade ideal. É pra falar de uma situação que aconteceu a alguns dias, não tem nada a ver com dança, mas tem presença em várias atividades profissionais.

Quer saber de uma coisa que eu odeio? Pensamento de "pião". Nada contra o pessoal de firma ou funcionários públicos (conheço excelentes pessoas desta área). Mas essa conversa do "essa não é minha função", não achar que pode fazer seu melhor, realmente me irrita o suficiente pra escrever sobre.

Tô cansada de ver esse tipo de gente. Uma coisa é tu não fazer algo por que realmente não compete, por ignorância ou falta de tempo. Outra é usar isso como desculpa para não fazer o que precisa ou poderia ser feito para ajudar as pessoas, melhorar um atendimento ou vender um serviço. Você sabe de que tipo de gente eu falo: aquele que é pago pra fazer uma coisa e em hipótese alguma faz outra, mesmo que esteja vendo que precisa ser feito.  Aquele camarada que fica sem fazer nada com nada numa mesinha qualquer olhando o circo pegar fogo no guichê ao lado. Aquele caixa, da fila quilométrica, que passa tudo devagar na máquina do super, quando você está com  pressa ou deixa a fila do banco crescendo o dobro só pra não pular o intervalo do cafezinho.
 Eu compreendo todas as funções, stress e intervalos, eu também os tenho, mas são muito variáveis conforme a demanda.
 Esses dias vieram no spa onde trabalho, um casal de vendedores de produto pra cabelo. Testamos o produto, que levava mais de duas horas pra aplicar. Eu tinha cliente às dezoito horas e tive que passar todo meu tempo livre aplicando o produto na minha colega. Claro que eu não me importava, pois o produto era demonstrativo e eu fui escalada para testá-lo sem compromisso, porém, os dois maravilhosos vendedores ficavam ali sentados que nem dois de paus me vendo trabalhar, ditando tudo que tinha que ser feito, vendo que eu estava com o horário se apertando e eles... com a bunda esquentando no sofá. Só faltou a cigarrilha e o drink.
Perguntei se eles eram cabeleireiros. Claro que a resposta foi negativa. Mas isso realmente os impedia de passar uma chapinha ali comigo, pegando do outro lado pra ir mais rápido? Pois é. Minha colega manicure foi me socorrer. Engraçado: ela não era cabeleireira também, não estava vendendo o produto, não tinha interesse nenhum naquilo e usou sua pró atividade pra me ajudar, e fez direitinho. Me responda: o que fazem dois paspalhos desses não terem vergonha desse tipo de "não-atitude"?

Alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo


Isso foi um claro exemplo de pensamento de "pião". Obviamente que se eles forem se defender, a desculpa vai ser a mesma de sempre: não fomos treinados pra isso; não somos cabeleireiros; já estamos trazendo o produto; esta não é nossa função.
 Adivinha se um dia vou comprar produto deles. Por sinal, muito bom o resultado, mas prefiro que continuem sentados onde estiverem.

Outra coisa que me dá nos nervos: burocracia desnecessária. Levar umas porcarias de documento pra reconhecer firma no cartório. Deixar de ser atendida por esquecer um documento que você sabe o número e pode facilmente ser identificada como indivíduo estando com um computador na sua frente. Ligado na internet e com telefone ao seu lado.


Um dia, as pessoas vão ver que o que interessa mesmo, é ter boa vontade e criar possibilidades para facilitar a vida de quem precisa de você, seu semelhante, seu irmão humano. Agora. Chega de mandar as pessoas voltarem pra casa, displicentemente, sem saber o quanto tiveram que gastar pra chegar ali, desvalorizando o tempo e o esforço realizados, talvez amanhã não tenham como voltar. Mas nada relativo a isso importa de fato. Cada qual com seus problemas e sua vida, não é?
Pois é, o que estou escrevendo aqui? Esta não é minha função, eu não sou paga para isso!!!



Não percamos a esperança, tem sempre um flanelinha que trabalha de verdade.


3 de out de 2012

Leituras e a vida: um texto saudosista



Sem falar só de dança por que nem só de dança vive a pessoa...falando um pouco sobre a saudade de alguns hábitos, cortesias que na época gostávamos de ficar observando e presenciando, como nossas mães e avós escrevendo cartas e enviando cartões...uma época em que não havia telefone fácil nem internet e o máximo que podia se fazer para uma notícia mais urgente era o telegrama.

Tempos mais difíceis? Talvez...mas mais encantada, cheia de pessoalidades, onde a estimada visita podia surgir de surpresa (por isso aquele apreço pela casa estar sempre impecável, afinal alguém poderia chegar a qualquer momento!) ou ainda bem preparada, com aviso prévio, dando tempo para as mulheres da casa fazerem doces gostosos sem a mínima pressa. E um bauzinho recheado de cartas guardadinhas. Que saudade!

Lembro da minha avó, quase analfabeta, mas sabia escrever cartas. Os homens da casa não cultivavam o hábito, a escrita era uma coisa de mulheres, a conversa delicada, ou afiada...os homens mandavam o abraço, o recado ou ditavam algum fato que a mulher talvez esquecesse de noticiar no meio de tantas palavras. Sem poucas frases, a carta só pode ser fêmea. No fim da linha, apertadinho, o beijo para todos, nos vemos no Natal (combinando de buscar na rodoviária na data do próximo mês)...

O tempo era brando conosco, e a infância demorava-se. Tudo era uma questão de etiqueta, o aprêço (escrevi de propósito, bem coloquial) era um costume distinto, sinal de respeito. Talvez hoje em dia algumas cancerianas e librianas consigam manter tal nível de exigência sem uma boa diarista.

Sinto o tempo correndo entre os dedos e a saudade cada vez mais presente. Preciso hoje colocar pressa nos meus filhos, acelerando uma infância bem diferente, mesmo jovens mães precisando lidar com questões cada vez mais novas, tendo uma grande experiência, porém insuficiente para dar conta de tantos eventos.

Agora percebo que mais triste do que acabar com as cartas tão atmosféricas e nostálgicas, é precisar correr para poder continuar a escrever aqui com tranquilidade. E corro para conseguir continuar o hábito de ler blogs e livros.

Para quem escreve, uma dica: escreva bonito, gostoso, escreva com deleite. Por que hoje em dia ninguém mais lê com prazer e tempo. 

Ninguém mais quer preliminares, mas todos sabem que elas fazem diferença nas grandes conquistas.

Sobre a nova regra ortográfica, um aviso: jamais escreverei certo outra vez, pois a maneira que escrevo não vem de regras gramaticais, vem de muita leitura boa. Prefiro escrever coloquial como Machado de Assis a assumir essa nova candidíase verbal que aprovaram.

Um grande beijo a quem ainda lê!!!

1 de out de 2012

Uma boa surpresa!



Oi! Gostaria de dar uma notícia: vou abrir as portas da minha casa em Esteio para aulas de dança. Isso: vou começar novamente!
Então já quero colocar aqui direitinho todas as datas, horários e regras que me permitirão dar aulas de qualidade, com maior freqüência, motivação e satisfação.
As aulas terão início no dia 29 DE OUTUBRO para as meninas que já faziam aula comigo ou já tem alguma experiencia em dança. Será uma segunda feira, terá duas horas de duração e será quinzenal.
IMPORTANTE:
Resolvi fazer quinzenal e de duas horas para um maior aproveitamento e para faltarem menos,sendo uma carga menor de compromisso; há possibilidade de maior organização mensal e favorece pessoas que vem de outras cidades. Outra coisa, o pagamento será feito por aula, caso queira se acertar mensalmente, é importante ressaltar que em caso de falta não há recuperação fora da segunda feira, nem dinheiro devolvido. O valor por aula será de R$ 30,00, a aluna deve confirmar sua presença por telefone, mensagem ou e-mail até duas horas antes da aula.
As segundas excedentes podem ser utilizadas para aulas particulares previamente agendadas.
Então o calendário é:
Primeira segunda feira, dia 29/10, depois dia 12/11 e dia 26/11 ás 19h, turma não iniciante com trabalho intensivo.
Se você já quiser vir neste primeiro dia (29/10) por favor confirme com mais antecedência, pois farei um cafezinho para lhe aguardar!
Só peço encarecidamente que se proponham a participar com compromisso de continuidade e o máximo de freqüência, pois mobilizarei pessoas para que me ajudem a liberar esse horário para mim, cuidando do meu nenê.
Um grande beijo a todas!!!



26 de set de 2012

Sobre Movie-mento



Uma releitura do cinema em dança tribal.
Realizado por minhas colegas Bruna Gomes e Zahira Razi (Grupo Masala) e bailarinas convidadas, é com certeza um espetáculo cheio de atitude. Com influências teatrais e picardia, o show Movie-mento traz para o palco suas versões dançadas de diversos filmes facilmente reconhecidos, como Piratas do Caribe, Psicose, Avatar e o desenho Rio.
O interessante é que apesar de bastante teatralizado em algumas das leituras, Movie-mento ultrapassa uma etapa importante dos shows de dança oriental tradicionais, muitas vezes compreendidos como uma tentativa temática de teatro infantil. Vai além pela ousadia de rotular para maiores de 16 em nome da liberdade de expressão, envolvendo o público numa atmosfera misteriosa e sensual sem vulgaridade, uma surpresa interessante e impactante. Vai além pela aquisição de recursos cênicos que complementam perfeitamente a idéia concebida.
Mais denso do que o Especiarias, Movie-mento já vale só pela abordagem de algumas interpretações, como em "Carmem", onde Zahira Razi eleva a emoção da platéia através da batida contagiante do Flamenco-árabe e Bruna Gomes quebrando todas as regras, como de praxe, em "De olhos bem fechados". Várias outras interpretações trazem ótimas bailarinas em ascensão contínua e aprendizes que se rendem às loucuras e contemporaneidades que o grupo Masala traz para esta dança, reveladas nas aulas mensais do curso extensivo de Dança Tribal, que este ano fecha sua segunda edição.
Este show já foi apresentado também em Caxias do Sul e reapresenta em Porto Alegre dia 21 de outubro. Não percam mais esta oportunidade.

24 de set de 2012

For you, babies

Estou dando uma passadinha de leve, pra deixar registrado que há um trabalho sendo feito, bem na manha, sorrateiro, caprichado. Está pronto. A princípio, dedicado às meninas que gostariam de dar aulas ou ainda, que já estão nessa atividade mas estão enfrentando algumas dificuldades, dificuldades estas que aparecem naturalmente ao lidar com pessoas, com comunicação, expressão e educação. Dificuldades que surgem às vezes por termos apenas uma única fonte de conhecimento, que pode "unilateralizar" a maneira de pensar na dança, em vez de agregar novas possibilidades e conceitos.
 Isso acaba interferindo na didática e na criatividade, tanto da aluna quanto da facilitadora. A pergunta que se deve fazer: "Esta é a única alternativa?" "Como posso ultrapassar as expectativas?"

Não é um curso profissionalizante, nem de especialização. Não vou formar ninguém como bailarina ou como professora. Mas é um conteúdo de alta responsabilidade: é ensinar a ensinar direito.
Posso estar sendo pretensiosa e audaciosa? Talvez. Mas desde o primeiro momento em que vi a dança e pus os pés na sala de aula, eu acreditei: eu tenho essa missão.

É como se eu pudesse resumir uma biografia ou um trabalho de conclusão de tudo aquilo que pude experienciar através da dança e do convívio diário com ela, com as pessoas que aprendem, as que ensinam, as que contratam, as que apenas dançam.
Este trabalho fala de tudo que se precisa saber de forma direta, organizada e esclarecedora, enfatizando alguns pontos que merecem atenção especial, como a forma de compreender o movimento, o corpo, a assimilação do movimento da pessoa que vai receber a informação. Basicamente, é preciso compreender as pessoas no mistério do seu universo interior, seus objetivos, seus sentimentos, sua corporalidade.
Posso dizer que é um trabalho bonito, sim. Apesar de nunca ter tido oportunidade de buscar o conhecimento na fonte, o que posso oferecer neste propósito é singular e valioso.

Ensinar é sempre a melhor parte e a mais importante.


14 de jan de 2012

Expressão: eu insisto!!! 2

Antes de tocar o horror, quero adiantar algumas coisas sobre o trabalho que quero fazer este ano.

Levantar as mangas e correr atrás do objetivo!


Quero mesmo pegar pesado em expressão e leitura musical por que não perdi o foco sobre o que ainda vou realizar. Preciso fazer um show.
 A intenção não é de promoção, mas sim por consideração e retribuição a todas as minhas alunas e colegas que me acompanharam nesse longo caminho, é preciso selar e comemorar todo esses contatos, oferecer uma oportunidade às alunas de mostrarem sua energia "em casa".


Quero ver a vontade, o sorriso, a satisfação brilhando nos olhos, todas cativando-se mutuamente num espetáculo de interação.
Quero poder participar, mas quero poder ver, quero ter a dádiva de apreciar o momento de cada uma, que todas possam chegar no final com um super abraço de alegria e amizade.
Nós somos umas guerreiras!
Quem nunca brigou por sua dança, quem nunca se defendeu de comentários frustrados, quem nunca investiu quando nem podia, só pra não perder uma chance?

São muitas lutas e diversas as conquistas e o prazer de poder mostrar os frutos de nosso empenho não tem preço.
São muitos os motivos para dançar, cada um se revela de uma única forma. Mas com certeza, todas queremos ser a luz naquele momento, ele é nosso.

Então este ano eu quero celebrar. Vamos trabalhar nosso corpo e nossa intenção. Fortalecer a interação, que eu ainda vejo pouco. Mas não quero mais precisar lamentar por isso.



A propósito:

Eu gostaria muito de ver pessoas de outras escolas participando de algum curso meu, mas é difícil.
É uma pena ver jovens profissionais da dança não quererem participar mais por terem conquistado esse título, aí só fazem curso com os grandões.
Fico imaginando que só pode ser por isso.
O único outro motivo é não gostar de mim. (Nesse caso, ok, não há o que fazer).
Mesmo assim é uma pena, por que eu sempre tenho muita coisa pra passar. Sério, fico triste quando não consigo atingir essa meta de forma mais abrangente. Fico angustiada.

Mas, fora isso, temos a questão "hierárquica".

Gente, título não é nada, é roupa, é papel, é fachada. Diploma é só participação, não garante que aprendeu. Vivência é tudo.  O resto é ilusão. Sinto muito, mas em dança não existe dúvida, não passa nada desapercebido, chega a ser frustrante às vezes.

Quando a gente vê uma dança, a gente vê a dedicação e a vontade da pessoa, isso também é bonito.
Mas pela centésima vez eu peço: preciso ver alguém me emocionar.  Pelo amor de Deus. Não é uma crítica, é um apelo. Pelo menos se é uma profissional.


A sua dança é sua verdadeira conquista.


Parece pretensioso, mas estou sendo sincera, abro o jogo, é uma vontade minha.

Não quero roubar aluna de ninguém e nem me julgar melhor que as outras. É uma questão de complementaridade (veja só isso!). Aumentar o repertório, oferecer diferentes caminhos, renovar informação, viabilizar novas perspectivas!!!! Qualquer um desses itens já contribui!



Por que eu sei que todas nós estamos em uma busca: o caminho da expressão, do equilíbrio, do reconhecimento do amor que temos por esta arte. E nisso somos cúmplices.

Vai, amiga, acorda. Sem orgulho. Quero te ver livre do que ainda te amarra, quero te ver feliz, não interessa o que eu danço ou quem eu sou, nem quem você é, a única coisa que sei, é que tudo pode ficar ainda melhor, usando a ferramenta certa.
Não dá pra se fechar demais, nem se apegar com bobagens. 
Faça a coisa funcionar pra você de verdade, se é o que quer.
Permita-se outras opiniões, corre atrás. Já nem falo por mim. Tem muita gente boa por perto.

Não adianta só esperar pelos grandões, não, eles não vão te explicar o segredo, nem tem preocupação se tu tá conseguindo fazer mesmo, no meio das outras duzentas. A pessoa tem que se importar com você, conhecer você. Num workshop muito grande, você não é reconhecido, é contabilizado. Pegou, ótimo. Não pegou, paciência.

E não esqueça: O seu desempenho em cena é diretamente proporcional ao que você prioriza.


Pronto. Surtei! Mas desabafei. Bora lá, manifestem-se, podem me xingar se eu mereço!


Expressão: eu insisto!!!

Olá, garotas!

Voltando com muita calma do "Pára tudo que Noah chegou", quero continuar minha saga no assunto.
Aos poucos, retornarei com alguns projetos, aulas e workshops.

Primeiro quero manifestar publicamente todas as congratulações necessárias às professoras Sayonara Linhares e Caroline Klippel de Novo Hamburgo, especialistas em Dança Cigana e milhares de outras coisas maravilhosas, por me ajudar na construção de duas bailarinas: Carla Ramos e Samara Leonel. A Sayo com certeza complementou meu trabalho com as meninas, deu aquele acabamento no molde! Consegui ver todo o potencial das meninas em pouco tempo de dança cigana, graças á sua didática, atenção, sensibilidade, e claro que das próprias meninas também. Está tudo em vocês, a gente só tenta trazer à tona, não é? Parabéns a todas e à profe Carol, também da Casa Z.

Depois de conversar com as moças eu percebi que tentei ser uma professora exemplar, mas no fundo, sou uma pamonha.  Tenho lá meus créditos, mas pra essas danadinhas desenvolverem a expressão e perderem o medo de ser feliz, o negócio é meter na roda de fogo, mesmo. Traduzindo: sem dó nem piedade, dançar na rodinha. Simples assim.

Solta aí, titia!
Nada mais de rogar por favor, fulana, treina em casa, faz o exercício tal, ouve a música tal...e eu acabava por esquecer o assunto, de tanta desculpa que ouvia, e realmente são boas desculpas: falta de tempo, de espaço...acontece mesmo. Não curto constrangimentos, forçar barra, afinal conheço a vergonha que dá no começo, a galera te olhando de perto, a gente se sentindo meio desajeitada...mas algo vai ter que mudar, pelo bem de todas.

Então agora, nós vamos vivenciar.
Em aula.
-Música, maestro.

-Mostra aí, tá todo mundo esperando!

Calma. Sem desespero. Vai acontecer no fim das aulas, por enquanto, afinal eu também tenho que me adaptar, viu? E como quem já me conhece sabe que pode confiar nos métodos, pois são testados e aprovados, tudo tranqüilo.
Ah, mimosas, dêem uma treinadinha antes pra facilitar, pois sim, faremos avaliações. E serei muito sincera! 

Um beijo enorme de saudade. 



2 de jan de 2012

One moment, please!

Ainda bem que tudo na vida passa, viu? Nesta fase materna atual, que é linda, agradeço pelo meu Noah maravilhoso, marido maravilhoso, trabalho maravilhoso, mais dois filhos maravilhosos...mas falar que o corpo está maravilhoso tá difícil, nega. Pior que já conheço a história e sei que a cada gravidez tudo que foi adquirido foi assimilado...para sempre. É isso: não perco uma miligrama, mesmo amamentando. Já vamos para cinco meses e nada. E nem como tanto assim, já comi muito mais antes. Claro que sou saudável até dizer chega, mas agora estou ficando preocupada, olho no espelho e não me reconheço, fiquei um tanto parecida com muitas senhoras que vejo por aí portando uma bela pochete, braços que abraçariam com folga qualquer elefante, uma papada de dar inveja ao mais sutil hipopótamo. Nunca me senti tão próxima da brasilidade feminina. Sem preconceitos, mas em desespero estético, vos digo: este ano farei uma plástica. Vai ser minha prioridade. Depois de três babys, convenhamos, eu mereço. E essa coisa de ser linda por dentro é muito válida, mas pra quem te conhece bem e pra quem não tira foto. Adoro o Jabor e concordo com aquele texto que circula nas caixas de e-mail por aí, exaltando a beleza da mulher comum, mas nessa altura do campeonato, não há dinheiro mais bem investido do que ver aquela maldita pochete no lugar que ela merece: a bandeja do Dr.Gheno. Amém!


Assim pra mim não dá, meu povo! Misericórdia...

Ps: Nada pessoal às gordinhas da dv, é pra mim que não serve, mesmo. Se a pessoa se sente bem com suas graxinhas, ótimo!  Mas eu não consigo e ando de saco cheio...desabafei!