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16 de jan. de 2014

Roupa suja

Estou publicando um texto no qual pretendo esclarecer algumas verdades, por mais doloridas que sejam, para qualquer profissional, mas em especial às bailarinas de dança do ventre. Isso por que não acompanho de perto nenhuma outra dança com tal intimidade para falar. Acredito que por ser aqui, no meu blog, eu tenha mais permissividade para declarar fatos sobre os quais me sinto incomodada e me reservo no direito de reivindicar, visto que me considero de certa forma atingida. Mesmo assim não darei nomes aos bois, que sirva o chapéu em quem puder, pois é para o bem maior.



A questão é a seguinte: chama-se popularmente de barraco, só que virtual. Pessoas publicando conversas definitivas, negativas ou desagradáveis que deveriam ser particulares e dividindo a opinião pública a respeito de algo que as perturbam, dividindo os nomes envolvidos pra galera toda.
 Por mais elegante que se tente ser ou mesmo que vc seja a vítima da história, não interessa, nada justifica uma pessoa lavar roupa suja nas redes sociais. Eu compreendo pois eu mesmo já tive vontade de fazer isso milhares de vezes, mas toda vez que me contive, não me arrependo e se assim não o tivesse feito, não teria nenhuma vantagem concreta.

Não pense em expor a integridade pessoal de uma outra profissional por estar se sentindo lesada. O que se pode fazer é dar sua opinião sobre o trabalho da pessoa como por exemplo, sua dança, que é pública e o profissional deve ser receptivo a qualquer opinião mais crítica, mesmo que soe irrelevante. Isso é direito do público (não entenda como depreciação) de ter uma opinião negativa e expô-la, contanto que não envolva o que ele representa como pessoa.

Então você bailarina, preste atenção: se tiver problemas profissionais ou pessoais com outra colega, aluna ou professora, se separar do marido, se brigar com o dono da academia, se falaram mal de você, se jogaram seu nome no chão, na lama ou na água do mar, você tem todo o direito de reivindicar e defender aquilo em que acredita, contanto que seja de forma particular com a pessoa envolvida ou judicialmente se achar necessário; caso precise comentar sobre o assunto, que seja de maneira restrita e para pessoas que julgar confiáveis; amigos de perto ou família. Só. Ou pode escrever num blog como eu, para desabafar, sem citação de nomes.
Por que isso?
Primeiro:
No momento em que você PUBLICA uma discussão, uma troca de emails, manda recados desagradáveis que não sejam privados, você corre o risco de responder por danos morais, perjúrio, difamação, calúnia, má fé e tantos outros termos presentes no exercício do Direito;
Por que, em segundo lugar, ninguém tem nada que ver com isso a menos que esteja diretamente relacionado ao assunto:
Terceiro: como profissional e educador você tem a obrigação de dar bom exemplo, para isso tem que deixar o ego de lado e colocar o nome da sua profissão em primeiríssimo lugar e bem antes do seu, por mais querida e aplaudida que seja.
Quarto: você não precisa agregar seguidores ao seu barraco virtual, a menos que precise de testemunhas para levar numa audiência.
Quinto: é de muito constrangimento ficar sabendo desses fatos quando acontecem, eu me sinto incomodada pois acabo envolvida num problema que não é meu, inclusive parece um cabo de guerra, como se fôssemos obrigadas a tomar partido também publicamente e caso eu esteja de acordo com um dos lados acabo criando inimizade desnecessária com o outro. Falta de respeito comigo.
Sexto: é possível vencer qualquer desafio falando menos e agindo mais. Com muito mais classe e discrição, se possível.
Sétimo: virem a cara pra mim se quiserem mas se alguém me citar para qualquer coisa ruim publicamente, o processo é certo, não vai ter nem conversa.
Como se pode ver, há muitas razões importantes para parar a lavação de roupa pública. Agradeço desde já a receptividade do meu texto e agradeço mais ainda se não precisar mais ter que ver esses babados no Facebook, o qual participo muito mais como ferramenta de trabalho. Por favor parem de torrar o filme da dança do ventre!
Tenho dito.

27 de fev. de 2010

A dualidade dos valores morais

Este é um blog que não foi configurado apenas para exaltar o lado profissional. Aqui mostro minhas dúvidas e  fraquezas também, condição de quem se considera humano acima de tudo. Pois nem tudo são flores, mesmo que isso não afete de forma geral o conceito acerca do que me julgo competente. 
Tive uma lição interessantíssima esta semana, acredito que não foi a primeira vez que me encontro com tal situação. Acredito que não é por acaso. O fato é que precisei muito de assistência e não a tive, simplesmente por que a pessoa que poderia me ajudar no momento em que eu precisava julgou que não deveria fazer nada que não fosse do ambito profissional dela, mesmo que aquilo estivesse ao seu alcance de alguma forma. Não disponibilizou qualquer comprometimento sem o menor constrangimento.
Como sou um ser pensante às vezes, antes de tirar qualquer conclusão eu analiso de dentro, de fora, em diversos pontos de vista e ao redor. As perguntas que costumo fazer:

  •  Por que isso aconteceu? 
  • Quem é o grande responsável pelo problema?
  •  Existe um meio viável de encontrar uma solução rápida?
  •  Houve uma retaguarda que oferecesse um preparo para tal situação? 
  • As pessoas conscientes do problema podem ser envolvidas ou responsabilizadas por não contribuir para a a solução? 
  • A pessoa que se nega a ajudar, estará de fato, sendo má? 
  • Por que essa atitude é correta às vezes nos achamos no direito de julgá-la?

Vamos às respostas. 

  1. Seja qual for a situação envolvida, se você tem vinculo de responsabilidade com ela, você pode ter culpa ou ser vítima do problema. As outras pessoas que podem te ajudar, não tendo vínculo, não tem obrigação nenhuma de fazer isso, tudo depende da sua consciência ética e moral. Portanto, se a solução não for encontrada, logo, não se pode atribuir culpa a qualquer negação.O pior de tudo é que:
  2. Ela está eticamente correta, mas está sendo totalmente má. E outra: apesar de má com pessoa necessitada, está sendo estupidamente generosa consigo mesma e ultra profissional. Esta atitude é correta por que ensina as pessoas que cada um tem que ter comprometimento com aquilo que é problema exclusivamente seu. 
  3. Nos achamos no direito de julgá-la por que somos passionais e não sabemos separar o lado pessoal do comprometimento profissional (Valores humanos x Ética).     
Mas tem uma coisa que ainda cutuca: tem que ser assim mesmo?
Bom, coloquei de forma sintética uma questão que às vezes eu  levo um bom tempo pra metabolizar. Mesmo sem expor claramente a situação, vocês devem ter sacado que se trata de um caso em que se faz necessário o envolvimento de outrens num problema que seria rapidamente solucionado caso tal pessoa não se negasse em ajudar a solucionar. O problema de qualquer forma se resolveu, ainda bem, mas no fundo do coração ainda clama com vontade uma voz em relação ao ser em questão: filha da  madrasta!
Na minha opinião, as "pessoalidades" tem que ter limite, sim, até mesmo para evitar que as pessoas comecem a abusar de você. Mas eu acho que nunca vou ter tanta coragem e desapego! Não vou dizer que nunca fechei os olhos pra nada, mas ...com tanto prazer e descaramento? Acho que foi isso que me chocou. Estou acostumada com gentileza e condescendência. Agora vi. Me senti como aquele mendigo que fica pedindo esmola torcendo para que alguém olhe para ele e só passam milhares de pessoas que fazem de conta que ele  não existe e a situação não pode ser resolvida por ninguém mais do que o órgão social responsável. 
Pois é, nós fazemos isso, sabia? Ainda assim é justificável esta indiferença? Acredito que sim, pois realmente não temos o que fazer. É preciso muito mais do que temos ou somos para ajudar de verdade, temos consciência do problema e gostaríamos de mudar esta realidade. Mas estender esta atitude indiferente até as pessoas com as quais convivemos diariamente é compreensível?... Temos que dizer não a tudo que pode nos "comprometer"? Nossa consciência coletiva de "compaixão ao problema alheio" é errada? Estou um pouco confusa, me ajudem a estruturar esta linha de pensamento: até que ponto os valores éticos são primordiais em relação aos valores humanos? 
 Eu acho que existem sentimentos e atitudes pessoais muito ruins que são descaradamente acobertadas, dissimuladas, divulgadas e aceitas sob a fachada "Ética profissional". Pois este termo muitas vezes não só protege e poupa a pessoa que se esconde sob essa vergonha mascarada, como determina que é a atitude correta e necessária para sobreviver no mercado de trabalho.