16 de abr de 2014

Oficinas e Shows em Caxias na Rakaça!



14 de abr de 2014

Antidepressivo natural: vencer a própria mente

Gosto de ler e aprender sobre crenças e religiões, esta lua é mais um motivo para potencializar nossas reflexões. Falei pra minha amiga Anelisi Ainy que não gostava de eclipses, de fato, lembro que alguns acontecimentos mais marcantes na história se registravam em ano de eclipse. Minha vó dizia que o pior era o do sol, que sombra no céu era desgraça na terra. Ui. Mas essa coisa de família acaba surgindo mesmo que não se acredite, fica aquela lembrança registrada, aquela apreensão. Talvez seja uma questão de superstição, pode ser que seja algo muito positivo também. Interessante pra analisar se realmente há ligação, pois tudo é uma teia, tudo é reflexo...
Outra coisa com a qual tenho me identificado bastante é a sabedoria judaica. Sinceramente tem a ver com tudo que eu penso. Tudo que li pode ser aplicado no cotidiano sem nenhum sacrifício, são regras simples que tem explicação aceitável, assim como o guru Mooji: este cara simplesmente colocou abaixo todas as complicações e rituais que teoricamente precisamos nos envolver pra ser uma pessoa mais feliz e iluminada. A gente pode ser iluminado sim, não precisa fazer sacrifício nenhum, a gente já sofre demais por estarmos limitados ao corpo em busca de sobrevivência. Basta acreditar nos sinais diários e perceber que a mente não pode ser a condutora de todas as suas ações: por trás dela e do ego, temos o que chamaríamos de "verdade", onde não há tempo nem complicação.
Quer saber como resolver um problema? No fundo todos sabem, sempre há uma escolha, um apego a se desvencilhar. Depressão por exemplo, é apego. É falta de algo. As vezes não se sabe o que. Já senti um pouco isso, uma angustia, um vazio. Ficamos vez ou outra tentados a sentir isso, mas é só mais uma armadilha da mente: temos que tentar ser mais astutos do que ela. Ela faz com que acreditemos que ela é nosso eu, nosso todo, o interior absoluto. Mas o que fazer se estamos condicionados a nos apegar com determinadas coisas pra vivermos melhor neste planeta?
Acho que o mais importante pra começar é separar melhor o que as coisas realmente são pra gente. O que representam, por que estão ali, por que nos amarram tanto. Analisar o que poderíamos fazer se não existisse esse condicionamento. Olhar para trás com sinceridade e ver tudo que se teve, tudo que foi vivido, pra ver qual a lição que o universo tenta nos mostrar.
As vezes não temos sentido pra tudo, mas no fundo, esse tempo linear que vivemos aqui serve pra alguma coisa.
Perdoar-se pelas falhas. As que você teve e as que você não teve como controlar. Mas tentar sacar a dinâmica disso, por que este é o desafio.
Não cair no conto do vigário de si mesmo. A mente vai tentar provar, justificar e verbalizar tudo que não precisa ter uma lógica. Ela vai fazer sempre você se grudar em desculpas pra justificar qualquer besteira. Elimine isso e vai ver tudo com mais clareza.
Outra coisa é não comparar. A gente tenta fazer comparações o tempo todo, achar defeitos em tudo e cria situações pra se autoafirmar o máximo possível. A gente realmente precisa disso? Não basta apenas resolver aquilo que nos serve e ignorar o que não serve?

Ficar horas em sofrimento para ser alguém melhor não é necessário. As pessoas sofrem absurdamente em todo o mundo a cada segundo, não gere mais sofrimento a si para alcançar algo que só está dentro de você. No fundo você sabe a escolha certa, a atitude correta. Vamos parar de sofrer tanto! Transforme a falta de energia em oportunidade e pare de sugar os outros com seus problemas.

Faça aquilo que você acredita ser bom. Sua vida é só o momento agora, daqui a pouco de nada se sabe, não há segurança, projeto nem controle...o que você tem de certeza do próximo segundo?
Tenho uma teoria pra compreender melhor o reconhecimento de uma escolha: somos casas, com portas, janelas, varanda, sala, cozinha, banheiro. Somos iguais por dentro, todos temos as mesmas peças. A diferença está por fora, no pátio, na aparência externa, naquilo que você deixa entrar e o uso que se faz com aquilo que está dentro. Com um detalhe: todos os tipos de situações e pessoas estão na nossa rua passando, e mais cedo ou mais tarde é na sua casa que podem entrar.
Sob essa fragilidade e nesse contexto de interação com as coisas da "rua", precisamos fazer a melhor escolha para termos uma casa um pouco mais preparada e feliz apesar das adversidades que nos encontram. A sua casa não é a mesma do outro. Mas todos SÃO casas, tem a mesma categoria de existência.
Não somos obrigados a adorar a casa ao lado, isso não seria natural. Apenas respeitar já é o suficiente. E se as outras casas
Por isso quando olhar pra outra casa, só abra os olhos depois que entrar pela porta e sentir que apesar de tudo, temos todos a mesma origem. Talvez sejamos o projeto de um grande arquiteto...nem sempre a execução é perfeita e fiel ao projeto, mas nós é que faremos a manutenção de tudo que nos foi ofertado. Eu agradeço a este arquiteto pela oportunidade de estar aqui nesta casa e não condeno meu mestre de obra pelas pequenas falhas. Quando minha casa cair, o projeto ainda estará lá e continuará. Dos meus alicerces podem se erguer novas e boas casas! Mas isso depende das escolhas feitas.



13 de abr de 2014

Tarab e Raqs el Sharq

Hoje quero deixar aqui um resumo sobre uma das maiores pesquisas que realizei sobre Tarab e Dança do ventre. Procurei em várias fontes que possuem grande credibilidade, como Gilded Serpent e Shira, mais algumas leituras sobre psicologia que me esclareceram mais cientificamente, como no livro Inteligência Emocional (Daniel Goleman) no qual há um capítulo interessantíssimo em que descreve o fenômeno "flow", ou "entrar em fluxo", termo que já pude vivenciar seu significado através do estudo e prática da dança do ventre. Também não posso deixar de citar o maravilhoso músico Sami Bordokan, com quem tive a oportunidade de aprender fundamentos importantes da musica árabe.



Primeiramente, o que é tarab?

Não é necessariamente um estilo musical, como estamos acostumadas a ouvir. Ele tem sido atribuído á música árabe orquestrada pela complexidade de sua composição e capacidade de criar interação e êxtase entre os músicos e a platéia.
Mas o real conceito conhecido como "Tarab" é a sensação de chegar a uma consciência mais elevada durante a execução da música. Se a bailarina estiver acompanhada com uma banda, inclui esse sentimento de total unidade com os outros músicos,  crescendo juntos na sintonia e no ritmo, interagindo à maneira que se cria um vínculo de percepção mútuo com o momento presente e o que está acontecendo. (Lembram do que falei pra vocês no curso do baladi, quando a bailarina e o músico podem evoluir na composição harmonicamente, um interagindo e respeitando o momento do outro?).
É uma experiência transcendental e compartilhada através da música, que é o objetivo final, tanto para um músico tocando taqasim ou um vocalista cantando uma maawal. Não há nada parecido com isso na música ocidental.

O termo é geralmente associado a um instrumentista realizando um solo taqsim, que é improvisado no momento. Aliás tem tudo a ver com improviso, e ao mesmo tempo, não. Na minha opinião, o "não" é por que a pessoa, seja qualquer o trabalho que ela esteja realizando naquele determinado momento, para ela estar presente de forma a se entregar em tarab, precisa uma concentração de nível absurdo e uma coordenação tão natural e automática sobre aquilo que ela sabe fazer, que não é apenas um improviso, sem um condicionamento. Ela precisa ter o dominio completo das suas ações para poder soltar as rédeas. Uma maravilhosa contradição.

"Tarab" é uma sensação que pode ser experimentada com qualquer esforço criativo e artístico. É uma vivência de êxtase. Há uma qualidade de transe nele, uma qualidade que alguns descrevem como espiritual. É a criatividade absoluta, como se todos os sentidos do corpo se centrassem em torno deste momento artístico.
Às vezes, apenas de ouvir uma música que amamos já podemos sentir. Comparemos também a algo relacionado à sensação de euforia de quando sentimos uma forte paixão.

Na dança tribal e nas coreografias também temos como identificar este momento. Á medida que há uma integração e uma interação que vem do conhecimento mútuo de movimentos, estes, precisamente absorvidos na memória muscular, o tarab pode acontecer pela alegria propiciada com a harmonia do grupo e a sincronicidade dos movimentos.

No ocidente, eu atribuo o Tarab à terminologia "fluxo" + "rapport", presentes na psicologia, que representam o estado de absorção absoluta ao mesmo tempo em que se consegue criar vínculos sensoriais com outros indivíduos/ambiente, para que haja alcance e imersão de todos os presentes no mesmo "estado de espírito". Na verdade somente o fluxo já é independente de qualquer platéia ou indivíduo, o vínculo neste caso é o próprio ser com ele mesmo. O fluxo pode ser alcançado através das práticas religiosas, como o giro sufi, na execução de uma Tannoura, num show de uma grande orquestra

Mihaly Csikszentmihalyi, quem primeiro descreveu este conceito, sugere que esse estado de ser capaz de alcançar foco total, se aplica a quase todo campo de atividade. De acordo com Csikszentmihalyi, o estado de fluxo é  “estar completamente envolvido em uma atividade pelo seu próprio bem-estar”. O ego vai embora. O tempo some. Todo o seu ser está envolvido, e você está usando sua habilidade no nível máximo”. 

Uma bailarina pode alcançar esta experiência, se realizada corretamente para capturar e refletir os aspectos especiais do taqasim, levando-a ao Tarab - a alma da música árabe quando capta o contexto cultural e sentimento.
Para isso é importante criar as condições necessárias para o reconhecimento da música, seus humores (maqam) e suas evoluções; é necessário, antes de tudo, saber ouvir e também compreender o quanto deve-se adequar para ter domínio do movimento.

No curso que estou projetando falarei sobre algumas teorias musicais importantes, um pouco mais complexas e detalhadas para postar aqui, mas que estarão presentes no material teórico. Não imaginamos o quanto falta aprendermos sobre dança, a menos quando nos deparamos sobre o que precisamos aprender da música, para poder dançar. E a música é realmente a alma do negócio nesta cultura.

Umas perguntas pra você pensar:
Como entrar neste estado de êxtase?
Você já ouviu falar desse conceito antes? Você acha que já experimentou tarab em dança do ventre?  Você aprendeu a identificá-lo e dar passagem à ele?  Conte-nos sua experiência, em que estilo de dança foi? Você já o sentiu através de outra atividade artística?

Participe e compartilhe sua opinião, ela é muito importante para que eu possa traçar uma linha didática que favoreça o esclarecimento deste assunto! O tarab é aquilo que nós todas queremos alcançar como bailarinas...