7 de dez de 2013

Natal com muita dança!

Como ando muito inquieta esses últimos dias tive que inventar algo pra me mexer: e quando isso acontece é sempre bom pra todo mundo!!! Acho que muitas estão sabendo que estou num período de tratamento da paralisia facial, mas pra quem não sabe e não conhece, isso aconteceu há um mês e ainda  não tive evolução no quadro. Estou afastada do serviço e fazendo um tratamento longo e diário de fisioterapia. Então se vocês não se importarem com a minha cara de lata amassada, eu gostaria de dar aula assim mesmo. Posso ficar longe de muita coisa, mas não de ensinar dança!!!

Apesar dessa problemática também penso que sempre podemos fazer algo de bom de forma a compartilhar a esperança e o compromisso que podemos ter com um mundo um pouco mais justo. Unindo o útil ao agradável (Natal, solidariedade, vontade de trabalhar e um pouco de coragem) surgiu a idéia de fazer uma oficina bem legal!

A proposta é uma análise e um direcionamento imediato de cada indivíduo no grupo de aula, algo que tenho paixão por fazer, que consiste em avaliar as características do seu movimento (vícios, limitações e pontos fortes) através de uma seqüência coreográfica gerada especialmente para isso. Em cima de algumas técnicas corporais geradas através dessa ação, trabalharemos também o ritmo, a improvisação, a expressão e suas limitações internas, tudo aquilo que ainda pode vir a interferir na sua potencialidade e a construção de elementos importantes no rapport da coreografia. Em toda abordagem tem bastante teoria e direcionamento. Em todos os nossos encontros o aprendizado é imenso e trocamos muito.
Haverá mais duas etapas importantíssimas que fazem parte da minha didática, que será uma surpresa para o dia. Enfim, serão maneiras de extrair, trazer à tona as possibilidades que vão fazer as coisas renderem ainda mais e fazer com que possa contemplar seu horizonte próprio, sabendo se guiar da melhor maneira nesses caminhos dançantes da vida...
São para todos os níveis, mas tem que conseguir dar uma dançadinha, tá? Ao se inscrever preciso saber como anda seu aprendizado pra montar as turmas da melhor maneira.
Gostaria de fazer duas datas, uma turma na manhã de sábado(das 9 ao meio dia) e outra domingo no mesmo horário.  Qual sua preferência?


E o diferencial sobre o investimento:
Uma ação solidária. Eu escolhi o Papai Noel dos Correios! Você vai lá, lê uma cartinha que as crianças mandam pro Papai Noel com seu pedido de Natal e vê o que você pode dar conforme sua possibilidade.
Você deve ir o quanto antes pra dar tempo de comprar o presentinho até o final da semana, não precisa trazê-lo, mas tem que compartilhar conosco o pedido da cartinha!
E se alguém quiser fazer uma contribuição espontânea, pode ser qualquer valor, qualquer mesmo, pequenininho, só pra me ajudar na continuidade das minhas fisioterapias, fico muito agradecida!!!

Aqui você se informa sobre a campanha, entre no site e veja os detalhes para participar.

Peço para que confirme sua presença até quinta-feira, pois vocês também ganharão lembrancinhas de Natal!

Pode se inscrever direto comigo pelo facebook ou via torpedo pro meu celular 84983868. O meu endereço e telefone residencial também passo direto pra cada uma. Mas a localização é fácil, bem no centro de Esteio.

Conto com sua presença!!!



25 de nov de 2013

O avesso

Neste drama diário em que me encontro, percebo o quanto este problema é desafiador para quem quer levar uma vida normal. As pessoas não estão acostumadas e nem preparadas para enfrentar uma visão aterradora. Percebo que por esta questão todas as pessoas que tem um problema em especial que afetam seu senso estético, se vêem sob uma condenação inconsciente que se relaciona ao constrangimento. Eu não levo uma vida tão normal assim no momento, pois não posso mais sair dando risada abertamente sem constranger as pessoas (realmente é muito feio); porém ao mesmo tempo noto que talvez essa liberdade pudesse ser maior caso as pessoas não dependessem tanto da superficialidade para se relacionarem. Imaginem que pra mim, que sou uma pessoa que trabalha diretamente com a estética e a arte (visando realçar o belo) e que tem (acredito eu) um senso apurado nesse aspecto, como estaria exercendo minhas atividades normais. Bom, elas simplesmente não estão acontecendo e acabei por me encontrar numa outra forma também artística para me motivar, porém de forma que meu rosto não influencie e não crie contato com o consumidor final.
Essa história de constrangimento é bastante complicada. Pois tanto eu como as pessoas que trabalham comigo estão aguardando que esta paralisia seja uma condição temporária, o que cria uma certa cautela sobre a exposição da minha imagem  para que se evite constrangimentos desnecessários neste período de recuperação. Agora a pergunta é: e se os danos não fossem provisórios?
Como seria se eu, minha família e meus amigos e colegas tivéssemos que conviver com a notícia de que minha cara não voltaria mais ao normal? Nunca mais poderia exercer minhas principais funções como bailarina e profissional da beleza. Afinal para ambas, há necessidade social de estar pelo menos em condições físicas e expressivas adequadas...
Mesmo que eu conseguisse obter dinheiro de outra maneira, onde eu projetaria minha felicidade?
Tento compreender a vida e seus sinais...a maioria das pessoas prefere fechar os olhos para a compreensão daquilo que é incomum ou limitador e deixa para pensar somente quando a elas acontece algo que a tire da matrix. É como a morte: mesmo sabendo que ela é o único fim para todos, ninguém gosta de pensar sobre este momento, tão único quanto o nascimento. Negamos sua sombra mesmo sabendo que o amanhã pode não existir. 
Calma, não sou suicida, hehehe...apenas realista, imersa numa história na qual tento arrancar um sentido e um proveito. Talvez eu seja oportunista mesmo, mas não vejo isso como algo negativo: é uma maneira maravilhosa de saber desfrutar positivamente de todos os acontecimentos da vida, sejam eles transitórios ou não. Dá leveza e disposição!

Ser normal é a melhor coisa do mundo. Agora resta saber como fazer a coisa funcionar quando esta verdade não está mais no nosso alcance.
  É o momento de saber quem eu sou de verdade e para que estou aqui. E espero que refletindo essas questões, você possa valorizar seus momentos de saúde, compreender melhor as pessoas da sua família, compreender o quanto um sorriso seu é importante, principalmente ao cumprimentar e se despedir de alguém.  A gente pensa que é só para os outros, como se fosse uma obrigação social...Ele é muito importante pra você. É um dos momentos mais difíceis do dia...não é fácil ser blasé, eu repito! Quem não sorri, por opção, mesmo gozando de perfeita saúde, é mesmo uma pessoa infeliz pra cecete!

Tirem-me o rosto, raspem minha cabeça, tolham-me o movimento das pernas...eu ainda estarei aqui sorrindo e vou matar a pau naquilo que eu resolver fazer, enquanto houver escolha. Por que eu não nasci pra dizer ok para o que quiser me parar. Bora!


14 de nov de 2013

Uma bailarina semi expressiva!

Que ironia do destino, pessoas queridas que me acompanham!
Vou tentar descrever sem muita delonga sobre minha atual situação. Fui acometida de uma enfermidade chamada Paralisia de Bell (já conhecia pois sempre tem alguém conhecido que já teve, não é assim tão incomum). Não é perigosa no fato da paralisia facial periférica em si (o meu rosto, do lado esquerdo, não tem função expressiva); ela é mais perigosa por manter sempre o olho mais aberto e quase sem piscar, podendo gerar úlcera córnea, isso sim é perigoso, pois cega a apessoa. Tem que meter colirio e pomada, óculos escuros de dia e esparadrapo pra dormir com ele bem fechadinho.As funções motoras da expressão voltam com o tempo e estímulos adequados, para não atrofiarem. E o que mais chateia mesmo é a dor de ouvido.
Bem, ela ocorreu rápida mas progressiva. começou nos olhos (eu achando que a cola dos cílios tinha me lesado). No outro dia quando acordei vi que estava ficando diferente e na outra manhã já perdia o sorriso do lado esquerdo. Quando eu ia tomar meu cafezinho esquecia de encaixar a boca e sempre dava uma babadinha, hihihi...no primeiro dia era o curso da Joline Andrade, eu cheguei a ir mas entrei em desespero e fui pro hospital da Puc. Tadinha da Carla Lampert, ficou toda preocupada, me deu a maior atenção e compreensão. Te adoro, guria! E te devo essa.
Feitos os exames, segue o tratamento: prednisona, aciclovir, lacrima plus, epitezan, dipirona. E cá estou, agora , bem mais calma, com bom humor, sem deixar de fazer muita coisa normal. Se preciso sair na rua, meto um óculos no carão e me finjo de blasée, pareço uma perua antipática, kkk....
Essa ocasião me faz pensar em várias coisas de forma ainda mais aprofundada. Tem a questão das pessoas com AVC, que tem lesão permanente nos nervos e músculos, a expressão na saúde, as funções do rosto humano. Tem a questão filosófica sobre a aparência física, a beleza e o humanismo. E como não poderia deixar de ser, temos a dança e a arte onde usamos a expressão de forma mais propositada.
Acho que devemos considerar uma das grandes capacidades do ser humano a de poder se colocar no lugar do outro. Eu me sinto afortunada por estar em uma condição temporária onde posso vagar com tranquilidade numa parte frágil da nossa existência, onde a saúde compromete nossa ligação com o mundo exterior, nosso conceito de beleza comum. Tenho a sensação de que por causa de uma falha na lata, o universo de uma pessoa fica mais comprimido dentro dela. Pois em cada um de nós existe um universo, sempre se construindo e interagindo com outros. Essa interação, ela sofre intervenções que conferem uma reserva maior, tanto da sua parte como da parte dos outros. E eu acho isso natural. No momento em que somos ou representamos a diferença, o colapso daquilo que é funcional e normal, muitas coisas podem se modificar também internamente e aprendemos a OBSERVAR as coisas com mais profundidade. Não considero ainda, radicalmente, a matéria e a forma exterior como uma máscara. Mas certamente ela está passando de uma realidade fundamental para uma hipótese. Ela é uma proteção para a funcionalidade das inter-relações superficiais da vida, onde universos distintos confabulam sem maior profundidade.
Não quero me estender muito nisso, mas é um assunto muito interessante, que te faz analisar vários conceitos e julgamentos presentes na sociedade e que somente interessa para pessoas que gostam de aprender, vivenciar com curiosidade sobre os universos e sua existência...
Só não quero deixar de mencionar que fico muito preocupada com as questões das limitações físicas permanentes do nosso corpo: a falta do movimento, a lesão de um único nervo, uma coisa pequena que aconteça pode interferir muito nessa questão do universo pessoal de quem sofre o evento. Tanto os profissionais da saúde quanto as pessoas que convivem com um paciente precisam ter uma visão holística do que se passa. Certamente a pessoa está lutando para se movimentar ou até mesmo se conformar com sua disfunção, mas seu universo interior está ali, cheio das suas experiências, sem poder navegar na superfície, mantendo somente seus elos profundos com quem o ama e já se desvinculou da questão da  aparência externa. Cuidem bem dessas pessoas pois o mais importante para elas neste momento e nos próximos são as lembranças, as experiências e o pensamento. Quando a função comprometida não é só fisica, mas sim mental ou neural, bom, aí deixo pra você desfrutar da capacidade que mencionei anteriormente: a de se colocar no lugar de outrem. Você saberá o que quer sentir.  Faça uma meditação sobre isso, sinta seu corpo inerte, não pense, não sonhe. Apenas respire  e imagine o que seria isso dia após dia. Não tenha medo, é algo que faz parte da vida e muitos universos neste momento estão nessa condição.
Como bailarina, noto que os meus humores foram muito trabalhados e passando por isto, noto uma experiência arrasadora e ao mesmo tempo enriquecedora ao extremo.  Perder parte da expressão certamente faz com que eu valorize ainda mais esta função humana maravilhosa. Quero poder compartilhar com vocês várias vivências sobre isso em aula. Por enquanto o que posso lhes adiantar para irmos trabalhando é que reforço tudo o que sempre falei sobre expressão e intensidade de movimento, com muito mais peso. Demonstre o quanto está se divertindo, demonstre a profundidade de uma tristeza, demonstre sua sensualidade, pois isto é puramente VIDA. E é seu, é sua marca, como suas impressões digitais, como aquilo que só você gosta ou sabe, seu universo. Dançar sem compartilhar esta noção de existência é viajar sem ver a paisagem, e o pior...é pensar que a paisagem não observa você...beijos queridos a todas e até a próxima!

26 de jul de 2013

Dança do ventre e a cultura agregada à ela

A visão que se tem a respeito da dança do ventre sempre encontra pontos de divergência conforme as realidades culturais de cada local, mesmo dentro de um espaço ínfimo e muito comum. Quando se trata de estado para estado ou nação para nação então, nem se fala. Tenho observado por mim mesma e em várias situações o quanto e onde temos se equivocado no verdadeiro conceito da dança oriental no oriente, criando uma nostalgia que de fato não há (mais) ou talvez nunca houve. Assim como em décadas passadas fomos educadas e emocionalmente preparadas mais para o amor romântico do que para qualquer outra realidade mais negativa, projetamos isso na nossa expressividade. Isso é bom, mas nos leva a uma certa ilusão sobre a dança, que pode nos ocultar, inclusive, a maneira com a qual somos compreendidas através dela. Com o tempo e a insistência numa performance realmente artística e de qualidade técnica, estamos experimentando a capacidade de transformar essa imagem inicial em algo mais aceito e questionável, positivamente, aos olhos leigos.


Antes de qualquer coisa, precisamos entender a raiz de como esta dança pode ter surgido, e há sempre uma bilateralidade, uma que se refere à sexualidade sagrada dos primórdios e aquela do que fez buscar o pão de cada dia (se é que me entendem, rsrs). O fato é que não há como negligenciar nenhum dos meios onde a dança pode ter sido utilizada. Um  nos leva à uma categoria mais democrática, ritualista e bem vista, o outro nos leva aquilo que gostaríamos de omitir, mas que está ligado aos nossos medos e instintos mundanos.


Não é mais surpresa que no oriente a dança do ventre local é muito mal vista. Ela foi e ainda é muito usada como marketing sexual.  No Egito, poucas influências locais a seguram ainda como arte. O cerco está se fechando cada vez mais e há pouquíssimos espaços para uma dança mais genuína. As estrangeiras ainda conseguem ter maior respeitabilidade, em função do turismo e de toda geração de renda que envolve a dança. As famílias não aprovam a dança como profissão e as bailarinas locais tem sido "cassadas".
Apesar disso, várias culturas ocidentais acolheram a prática da dança de forma natural e artística, tornando-a reconhecida em qualquer parte do globo. Com o passar do tempo, a dança compila suas características regionais com as influências culturais onde é estudada.
Aqui no Brasil acredito que temos tudo muito universal e bem aceito, somos realmente democráticas por termos conhecimento de outras formas de pensamento e conseguirmos lidar com isso, a nossa cultura acerca dos relacionamentos impede a maioria de pender para o lado que alia a prostituição à dança do ventre.
Obviamente com isso temos um status que vem crescendo e ultrapassando esses conceitos "primários" despertados pela visão da bailarina. Por isso, mesmo com a dança do ventre perdendo pontos na sua origem, criamos a capacidade de transmutar uma sombra e seguimos despertando o encanto, assim como outros países ocidentais. Ou seja: tá valendo a pena, sim!
Acredito que a grande maioria, no Brasil, idealiza uma dança do ventre do estilo egípcio. Isso faz com que tenhamos uma certa simpatia dos egípcios à nossa prática, mas acho que ainda não temos uma verdadeira identidade.
Agora temos várias questões:
Possuímos um potencial imenso para crescer nesta arte e ainda estamos longe do ideal. Mas o que seria ideal?
O ideal é sermos o mais parecidos possíveis com os egípcios ou criarmos uma identidade brasileira, baseada na cultura de uma dança egípcia (que se amplificou mundialmente)?
Como a dança do ventre não é um patrimônio nosso, devemos ser realmente uma cópia fidelizada das egípcias? Há necessidade de mantermos um bom senso, de nos esforçarmos para manter essa identidade original? E se um dia tivermos uma identidade forte, como os argentinos, russos, libaneses?
Qual a importância? O que diz a sua ética sobre este assunto?
Há muito discurso nesse sentido. Há alguns anos atrás, os estilos mais polêmicos eram o libanês e o turco, super voluptuosos. Acompanhei alguns desabafos via rede social com críticas acerca do estilo argentino, por exemplo. O que há de errado com eles? Analisando os casos, eu acredito que o estilo argentino é diferente, é forte, é bem ocidentalizado. Uma leitura diferenciada daqueles que se propõe a se aproximar ao máximo do estilo egípcio, pois já carregam uma identidade expressiva que na minha opinião, os favorece. Talvez os egípcios não se agradem tanto, mas ao mesmo tempo, por que eles deveriam julgar, se estão dizimando esta parte da própria cultura? Não seria de fato enriquecedor ver uma arte, mesmo que tradicional, ser acolhida, mesmo que transformada, sendo reverenciada como deveria, mesmo que por outro país? Creio que é apenas uma questão de gosto. Tomemos por exemplo o samba, caso a sua dança fosse reprimida por aqui, mas estudado imensamente nos EUA e chamado de samba americano,o que você sentiria? Eu ficaria feliz, mas essa é minha opinião, que vem gerada em cima de toda minha educação ocidental. Pode ser que alguém mais ortodoxo se sentisse sinceramente ofendido por algumas modificações, mas realmente acho que não seria válido. 
Isso não quer dizer que esteja tomando partido, é apenas uma análise, aquela coisa de fazer pensar com carinho no assunto. Eu vejo a tristeza do fanatismo ideológico e religioso sendo amplamente aceito no oriente e suprimindo essa coisa boa de ser mulher, de ter um diferencial, de ter uma individualidade. Por que a liberdade de se vestir, de se maquiar e de dançar tem a ver com isso. Não seria toda essa liberdade que temos aqui, recebida como uma afronta? 
Particularmente alguns estilos de dança do ventre não me agradam, mas não me sinto confortável em descartá-los só por isso, afinal dentro destes estilos que eu não gosto, sobrevivem grandes artistas, que assim reconheço sempre temos algo a aprender com eles.
Também acho que não há necessidade de copiarmos um estilo de outro local, sendo que já estamos rumando a um estilo de dança mais brasileiro, que seria uma miscelânea americana/egípcia/argentina. Ainda em construção, buscando uma identidade que o tempo revelará em breve.
Gosto muito da dança do ventre da Rússia e tenho algo que considero importante a dizer sobre ela. Em termos de qualidade técnica elas estão muito à frente. Como toda expressão, que é pessoal e territorial (pois eles possuem um incentivo à cultura e ao esporte muito maiores e sobreviveram épocas de imensa dificuldade) chego onde quero: este é um dos motivos que os estimularam à competitividade. 
Basta abrir o You tube e procurar. Você vai ver a dança de lá sempre concorrendo em tudo que é competição, é palco, é ginásio, sempre tem um númerozinho balançando. Aí vem minha outra questão: isso é ruim? Afinal por que temos tanto preconceito com a competitividade? Este é um assunto que pra nós, parece até feio falar, criamos um preconceito nisso. Mas tudo tem sua utilidade.
Bom. No caso da dança, a competição sendo exacerbada, nos faz perder a noção da verdadeira importância das coisas e desestimula quem ainda precisa de estrada. Mas a falta dela também, pois ficamos sem ter um estímulo proporcional ao tempo útil e à consolidação técnica que precisamos colocar em prática. Perdemos um pouco do instinto, da impulsividade.
Quanto tempo faz que você, bailarina, não participa de uma competição só na sua categoria? Talvez eu esteja meio siri, andando de lado, ou tartaruga no casco, só na minha, mas tô achando que falta um pouco de competitividade pra nós. Parece que temos medo dos rótulos. No fundo, isso não seria uma baita falta de humildade nossa? Eu sugiro que ultrapassemos mais este tabu, para que possamos nos concentrar no que realmente importa: a participação, que visa a melhoria da qualidade da nossa dança.
E aí, o que você acha, bailarina?

29 de abr de 2013

Dia da Dança 29/04

Gostaria de em primeiro lugar parabenizar as diversas bailarinas de dança do ventre e principalmente tribal, por mostrarem-se cada vez mais atuantes intelectualmente, politica e moralmente. Acho que nada mais transformador do que levar as opiniões a quem de fato precisa ouvir e manifestar a vontade sobre aquilo que é correto em todos os âmbitos, mesmo que fora da dança. Como artistas devemos ter sempre uma vista crítica e aberta, considerando todos os pontos e enxergando as questões de forma universal e inteligente. Provocar reações na sociedade é o que mais dá sentido á nosso trabalho, mais do que propriamente a visão de belo.
Gosto muito e cito sempre as colocações de Nietzche sobre o 'instinto de rebanho" e vejo que estamos fugindo bastante à essa regra de conduta exacerbada. O que ele quis dizer e também é minha opinião, é que a melhor forma de acabar com a hipocrisia é firmar a personalidade de forma a avaliar e saber ler nas entrelinhas o comportamento das pessoas, que normalmente velam suas reais intenções. Não podemos deixar menos claro que não somos trouxas e reconhecemos nosso valor. Se realmente tivéssemos que ser ovelhas, teríamos nascido ovelhas e não seres humanos capacitados. É possível curtir um trabalho ou uma pessoa sem idolatria, é possível ser humilde sem deixar que as pessoas lhe pisem, é possível ser culto sem ser rico e é mais possível ainda transformar qualquer questão polêmica em uma bela expressão. Por isso estamos aqui. E não só como bailarinas profissionais e amadoras, mas como aprendizes da vida, temos que vestir essa camisa.
Nada como viver além da lantejoula! Viva nós!


2 de abr de 2013

Lições sobre movimento pra quem perdeu a aula do dia 1/2/13

Esta é uma postagem muito pessoal, que gostaria de compartilhar para que possamos estudar a si próprias, mesmo fora das aulas, como um estudo continuado onde podemos tirar algumas conclusões. Nas minhas aulas eu acho muito interessante quando ouço diversas questões. Sempre explico a princípio, que não há um certo ou errado, mas sim a forma que você deseja alcançar pra sua interpretação, normalmente inspirada em alguma referência conhecida. Depois de um certo tempo a gente começa a notar que mesmo nos movimentos mais simples sempre podemos otimizar e acrescentar leituras diferentes.



Na minha opinião, nós temos que exercitar mais conscientemente os encaixes e pulsações. Mesmo que em grande parte, a característica da dança seja o isolamento da pelve em relação à parte superior do tronco, acho que manter uma ligação de ritmo é necessária, ou seja: mandaram a gente não mexer a parte de cima e assim que conquistamos este feito, tornamos esta parte "realmente" isolada. Uma pedrinha.
O que percebo é que na dança do ventre, os movimentos tem também a característica de partir de um ponto central do tronco, mais precisamente do plexo solar, uma linha que inicia logo abaixo do coração entre as costelas, acima do estômago. A gente consegue ver até pela dobra da roupa, quando se acessa a região.
Quando seu movimento aparenta estar muito fluido, superficial (como um movimento circular ou oito onde falta alguma coisa) é neste centro que buscamos trabalhar parte do movimento. Durante o aprendizado, os movimentos facilmente ganham tamanho e lateralidade, depois, suas linhas se equilibram, mas deixamos de fortalecê-los internamente e perdemos esta dimensão se pararmos por aí. Eles se tornam movimentos periféricos.

Trabalhar abdome e glúteo para dominar bem os movimentos


Imagine seus movimentos como uma extensão deste centro, se desenrolando como o local de onde nasce uma onda, ou um grande coração que quer sair pulando do peito. No báladi ou shaabi e saidi, essa pulsação é constante. O movimento é pequeno. Imagine como ilustraria um ritmo se estivesse sentada!
Sua intenção corporal reverencia o solo, os joelhos se flexionam fazendo uma molinha que segue a batida constante do ritmo. Experimente um ritmo assim, 4/4 e coloque nele apenas duas leituras: a molinha de joelho e o abrir e fechar na altura do estômago, em sincronia. Em seguida caminhe nesta pulsação e você estará desenvolvendo a espontaneidade e a flexibilidade, que pode ser difícil a princípio, pois é o rigor, a responsabilidade e o excesso de disciplina que se manifestaram em seu corpo. Eles precisam ser educados, faça-os compreender que continuarão ali sempre que necessário, não precisam tornar seu corpo uma couraça, um escudo, materializando-se. Insista nisso.
Solte-se, respire, sinta o ritmo, como uma risada gostosa. Imagine suas brincadeiras na chuva, quando criança; a vez que montou um cavalo (ou um camelo, pra quem pódi, hehe), qualquer coisa que você possa associar a esse ritmo com prazer e liberdade.
Claro que você não vai sair pulsando ininterruptamente a qualquer introdução musical, hehehe, mas essa pulsação vai ficar acordada e com livre acesso para que você possa desfrutá-la na dança e interagir com alegria. Ela tem que estar dentro de você.
Aqui um vídeo de bailarinas que usam isso muito bem:


Em clássica, Dina

Em baladi, Aziza Mor


Daria no shaabi

Entrevista com Tito!!!

Clique aqui e veja a entrevista com ele em espanhol. Muito legal!!!



29 de mar de 2013

Lições de Randa





 Quais dançarinos têm influenciado a sua dança ou o que te inspira mais?

Randa - Desde que eu era muito jovem, eu amava a dança e ela capturou minha alma. Todos previam que eu seria uma dançarina do ventre. Neste momento, eu adorava Samia Gamal. Ela era o meu conto de fadas, porque ela estava dançando ao lado de Farid Al Atrash. Eu era uma de suas maiores fãs, e eu adoraria ser Samia Gamal para dançar ao lado dele. Samia Gamal sempre me inspirou com sua elegância na dança, além disso, porque ela tem uma grande sensibilidade na música e eu sempre gosto de ter em meu trabalho. Eu também adoro as mãos, movimentos de ombro e expressões faciais. Quando eu cresci, comecei a apreciar Naima Akef, outra bela dançarina. Até agora, mesmo quando eles mostram filmes na TV com Samia Gamal e Naima Akef, minha família animadamente me chama para dizer que eles estão na TV. Até hoje eu me inspiro com ambas. Eu assisti tantas vezes suas performances, que eu sei exatamente todos os passos que estão a fazer durante a cena.


Samia Gamal

Naima Akef


Às vezes eu ouço dizerem: "Randa é da velha escola, ela dança com o coração" Você acha que nos bailarinos atuais está realmente faltando espontaneidade e / ou eletricidade?

  Randa - Não há velha escola ou nova escola em dança, a coisa mais importante é o sentimento. A dança oriental sem sentimento não é dança oriental e é isso que um monte de pessoas estão desaparecidas. Quando você vai ver um dançarino técnica com nenhum sentimento, ela pode perder a sua audiência, porque ela não pode capturar ninguém sem sentimentos. No leste da dança você não é uma máquina, não há 1-2-3-4. Quando você perde o sentimento ea alma, então você não está produzindo a dança do ventre você está apenas dançando. Qualquer pessoa que se tornou uma estrela se recebe um presente de Deus. Ele dá a sensação, o talento e o carisma de dança. Isto não é só no Egito, isso diz respeito todos fora dele também. Toda vez que eu viajo, falo sobre o sentimento ser a parte mais importante desta dança. Você também deve compreender a música com a letra traduzida de modo que você deve saiba o que está dançando também.
 Eu vejo as pessoas que pensam que são dançarinas do ventre, mas eles não são. Eles estão longe de serem dançarinas do ventre, porque não têm sentimentos em sua dança. Dança do ventre é muito mais do que isso, você como um dançarino precisa apresentar tudo o que você tem. Se você tem apenas a técnica, o público vai ficar entediado dentro de 5 minutos de olho em você. Você deve ter sentimento, técnica e expressão, você deve ter o pacote inteiro para executar a verdadeira dança  Oriental.

25 de fev de 2013

Fôlego, desciplina, interação


   

Três elementos essenciais para a bailarina que quer dançar profissionalmente. No caso de dançar em restaurante, nem todas se sentem confortáveis, pois se coloca à prova, da maneira mais explícita, o nervosismo e o talento.
O treinamento consiste em horas semanais de improviso e construção coreográfica (opcional). A coreografia torna-se dispensável pelo fato de que, em locais com esta necessidade de interação, não dá tempo de ficar pensando em passos e evoluções, tudo é muito no feeling e se adequa não só à música, mas ao humor do momento. A dança precisa fluir, solta.
Porém, não são só pedras. Há a oportunidade de se desenvolver de uma forma livre e divertida. Quando comecei era uma bailarina extremamente clássica e levava músicas da Om Kalthoum para apresentar. Sem noção! Nada contra Om, muito pelo contrário. Mas não dá pra enfiar goela abaixo uma dança tão profunda e dramática, realmente mais introspectiva, bem entendida por quem já é bailarina há mais tempo.
O que se pede num restaurante, é exatamente o oposto: dinamismo, alegria, entretenimento sem compromisso. Então pude aprender muito sobre a necessidade das pessoas que vão ver dança. Os comportamentos são variados. Você é quem se adequa e tenta implantar o humor. O público só responde ao seu estímulo. Ou não. Mas é uma delícia quando se consegue criar um rapport, um vínculo onde é captada sua intenção e pode direcioná-la.
Enfim, é uma função na qual não se pode levar em consideração o ganho financeiro, que é quase simbólico. Em compensação, é uma experiência única de aprendizado e de ter uma boa noção do que é TRABALHAR COMO BAILARINA e não só como professora.
Conversando com o pessoal do restaurante Lubnnan fizemos uma parceria: às vezes eles precisam de bailarinas, mesmo com a lista de bailarinas profissionais que eles têm, e precisam avisar apenas algumas horas antes, então nem sempre todas estão disponíveis. E ainda tem aquela reclamação clássica sobre nem todas as danças agradarem. Como resolver este problema?
Coloquei-me a disposição para agenciamento e treinamento das bailarinas que querem dançar lá periodicamente. Através de uma avaliação prévia e orientações, conseguiremos mais bailarinas boas na lista e ainda ajudo a adequá-las ao padrão que o restaurante necessita.
O que acham, habibas? O mercado necessita, e eu ainda não estarei tão cedo nesta atividade.



12 de fev de 2013

Ruth St Denis, Isadora Duncan, Pina Bausch, Martha Graham


Ruth  St Dennis
(20 de janeiro de 1879 – 21 de julho de 1968, EUA)



Uma das pioneiras da dança moderna.
Ficou conhecida por suas apresentações “orientais”. Por seu interesse pelo exotismo e misticismo, St. Denis colecionou através da dança figurinos belíssimos, dentro e fora dos palcos.

 Desde tenra idade foi encorajada a estudar dança, isso incluía aulas de ballet com a bailarina italiana Maria Bonfante. Mas foi em 1892, que começou a sua carreira profissional na cidade de New York.
No ano de 1898, esta jovem bailarina foi descoberta por David Belasco, um produtor da Broadway muito bem sucedido, contratando-a como dançarina de destaque na sua empresa de grande porte.  O interesse dela pelas culturas orientais foi crescendo cada vez mais, principalmente as danças do Japão, da Índia e do Egito.
Uma de suas mais famosas alunas foi Martha Graham*, na escola de dança Denishawn , que mantinha junto com seu esposo Ted Shawn.
Pouco depois de 1900, St. Denis começou a formar as suas próprias ideias sobre a dança baseadas nas técnicas de dramatização da sua formação inicial, suas leituras sobre a filosofia, ciência e histórias das culturas antigas.
A mistura do físico e da divindade nas coreografias de St. Denis a impulsionaram para que ela estudasse várias religiões ao longo da sua vida. Para ela, a dança era um ritual, uma prática espiritual.
Fonte: http://tribalmind.blogspot.com.br/2011/01/ruth-saint-denis.html













Delsarte, Laban, Dalcroze


François Delsarte


Tendo como objeto de estudo o corpo europeu do século XIX (um corpo imerso no contexto da economia industrial e, por isso, bastante inexpressivo e mecanicamente treinado), Delsarte desenvolveu pesquisa rigorosa sobre expressão corporal, buscando entender como se exprimem os sentimento humanos e como a gestualidade corporal se organiza e se relaciona com as emoções.
Para tal, dirigiu sua atenção para o movimento cotidiano das pessoas em praças, hospitais, na rua; observou a expressividade do corpo na arte (em atuação no teatro, expresso em pinturas e esculturas), também estudando e participando de aulas de anatomia.
A partir dessas observações, realizou inúmeras anotações e desenhos e estabeleceu um conjunto de preceitos, ensinados entre 1839 a 1859, em Paris, no “Curso de Estética Aplicada”, do qual participaram pintores, escritores, compositores, advogados, padres, atores e cantores, oradores.

Para Delsarte, o ser humano é constituído por uma tríplice dimensão: VIDA-ALMA-ESPÍRITO.
Cada dimensão estaria relacionada a um dos três estados interiores:
ESTADO SENSÍVEL (âmbito das sensações);
ESTADO MORAL (âmbito dos sentimentos); e
ESTADO INTELECTUAL (âmbito do pensamento),
sendo que cada um desses estados correspondem a uma das três modalidades
expressivas exteriores (VOZ – GESTO – PALAVRA).

O modo como a expressividade da voz, do gesto e da palavra podem acontecer, para Delsarte, também respeita uma tríplice possibilidade:
EXCÊNTRICA – voltada para fora e mais ligada à porção da VIDA; NORMAL – equilibrada e mais ligada à porção da ALMA; e CONCÊNTRICA – voltada para dentro e mais ligada à porção do
ESPÍRITO.

Exemplifica a aplicação desta tríade, proposta por Delsarte, no movimento das mãos:
Existe um centro nas coisas, nos gestos, nos movimentos, e duas forças que se deslocam
para fora (do centro) ou para dentro.
As mãos, por exemplo, relaxadas em estado de normalidade, representam a qualidade gestual NORMAL. Mãos abertas, estendidas, indicam uma gestualidade EXCÊNTRICA.
Por fim, se as mãos estiverem fechadas, contraídas, serão enquadradas como uma gestualidade CONCÊNTRICA.

Num período onde a dicotomia corpo/alma constituía o entendimento epistemológico predominante, é a unidade corpo/alma que Delsarte parece querer recuperar, uma percepção do ser humano em sua totalidade. E seguindo a ideia de totalidade, o segundo princípio parte do reconhecimento de que as três dimensões do homem – a vida, a alma e o espírito, já mencionadas acima – formam uma unidade. Para Delsarte, tais princípios atuam de forma relacional.

Outras conclusões delsartianas, relativas à expressividade dos movimentos, destacam algumas posições gestuais específicas. Os movimentos em oposição, aqueles nos quais duas partes do corpo se movem ao mesmo tempo, mas em sentidos opostos, dá a um movimento sua expressividade máxima.
Se, para afirmar ou convencer levamos nosso braço e nossa mão à frente, o gesto é fraco, mas se, ao mesmo tempo, fizermos com o rosto um movimento para trás e recuarmos um ombro ou mesmo a cabeça, o gesto alcança toda sua intensidade, seu realce, sua autoridade.
O paralelismo, quando duas partes do corpo se movem ao mesmo tempo e na mesma direção, é mais uma importante organização expressiva do movimento e indicaria um sentido de fraqueza: “São os movimentos simétricos como aqueles de súplica e de oferenda.” Além dessas posições, os estudos delsartianos também destacam a noção de sucessão: a ocorrência dos movimentos envolve o corpo todo e acontece em cada músculo, cada osso, cada articulação.
Sucessão seria “a grande ordem de movimento para a expressão da emoção”. Ele diz que a sucessão fundamental é a que, partindo do tronco, põe em movimento o ombro, depois o braço, o cotovelo, o antebraço, o pulso, a mão e os dedos, sendo que o impulso central mobiliza o corpo inteiro por ondas sucessivas, rigorosamente dirigidas e controladas.
Mas as sucessões também podem ocorrer da periferia para o centro do corpo.
"O gesto é mais que o discurso. Não é o que dizemos que convence, mas a maneira de dizer. O gesto é o agente do coração, o agente persuasivo. Cem páginas, talvez, não possam dizer o que um só gesto pode exprimir, porque num simples movimento, nosso ser total vem à tona, enquanto que a linguagem é analítica e sucessiva".
Geneviéve Stebbins (1857-1915), professora de Dança e educadora feminina, integrou o delsartismo à sua prática, sistematizando e publicando estudos que demonstram essa ligação. Mas seu nome merece ser destacado, uma vez que influenciou Isadora Duncan (1877-1927), Ruth Saint Denis (1879-1968) e Loi Füller (1862-1928), as três principais figuras da Nova Dança do início do século XX que fomentaram  discussões acerca dos princípios técnico-expressivos do corpo.

De acordo com Bourcier (2001) e Ropa, Isadora Duncan foi aluna de Stebbins e, apesar de estar pouco voltada às aulas e métodos de dança, mostrou-se totalmente envolvida pelos princípios delsartianos através de sua fé profunda na unidade corpo-alma e na relação entre expressividade e sentimento. Suas movimentações, de natureza bastante improvisacionais, partiam das qualidades oriundas da relação sentimento-expressão e privilegiavam formas corporais em oposição (a exemplo do movimento de jogar a cabeça para trás) combinados com a estética artístico-sensual da estatuária grega e dos elementos da natureza.
Sobre Ruth Saint Denis, as mesmas referências informam que foi educada por um treinamento físico-espiritual fundamentado no método de Delsarte, desenvolvido por sua própria mãe, Emma, que seguia obstinadamente o pensamento delsartiano interpretado a partir do modelo de Stebbins.
Seguindo a visão filosófica delsartiana, Ruth verá no corpo um meio para exaltar o espírito e introduzirá esta forma de treinamento gestual na proposta pedagógica da Danishawnschool, escola de dança fundada por volta de 1915, com Ted Shawn (1891-1972), seu marido e outra importantíssima figura dentro da história da Dança Moderna americana.
As temporadas e viagens à Europa feitas por Duncan, Füller e Saint-Denis permitiram o intercâmbio de suas propostas artísticas com o contexto europeu de Dança naquele período, ainda bastante ligado à prática e à estética do academicismo clássico. Mas, paralelamente, os estudos de Delsarte já começavam a dialogar com o referencial do Expressionismo e, mais especificamente, da dança expressionista alemã, inaugurada por Rudolf  von Laban (1879-1958)*.
Laban estudou com alunos de Delsarte e, como ele, debruçou-se de forma minuciosa sobre seu objeto de estudo: o movimento, suas qualidades e dinâmicas.

MADUREIRA, José Rafael. François Delsarte: personagem de uma dança (re) descoberta. 183 f. 2002.) 

Artigos Fundamentais no Estudo da Dança

Oi meninas!

Como diz o bom brasileiro, o ano começa depois do Carnaval: acabou o arrego. 
Por isso já resolvi facilitar pra galera interessada, alguns artigos que contém dados interessantes para quem quer estudar dança mais profundamente. Tem links de artigos acadêmicos e livros que falam sobre as personalidades que definiram os aspectos da dança e a revolucionaram, essas poucas pessoas que se importaram tanto com os gestos e expressões, que nos deixaram informações valiosas sobre o entendimento e a importância do corpo e da alma "no Darwin".
Não importa para que lado pendemos, qual dança abrigamos no coração. Na verdade, apenas caracterizamos o foco. Não se iluda: dança do ventre ou tribal, em função da característica principal, que são os isolamentos, não significa que sejam menos ou mais do que outras danças "expansivas" ou malabarísticas, como contemporânea. Mas certamente ainda está no caminho para uma evolução significativa da nossa qualidade técnica e profissional.
Então, uma das coisas que pode contribuir muito para isso acontecer mais rapidamente tem a ver com uma teoria básica que pelo menos te ajude a colocar os pingos nos is e não falar coisas erradas (ou deixar de falar)  por não estar cursando uma faculdade de dança. 
O interesse em trazer à tona as influências importantes, antigas e novas do cenário geral da dança, é um ponto de partida para a experimentação de determinada referência, que pode enriquecer e inspirar uma nova expressão pessoal.
Uma coisa eu aprendi: quando precisamos abrir a mente, não importa se vamos para frente ou para trás no tempo: o importante é viajar, sair da zona de conforto. Se procuras inspiração, em algum lugar sempre vai achar, mas tem que sair do lugar comum. Se quer força e paixão, pesquisa dança flamenca e cigana. Se quer delicadeza e disciplina, dança chinesa. E por aí vai. Pra que ser ortodoxa com tanta diversidade?
Lembro quando comecei a estudar. Cara, era dureza. Não tinha internet. O primeiro arquivo musical era fita cassete (com música do Tony, hehe) e isso era a pipoca da vanguarda da dança do ventre. Depois é que veio cd e mais depois ainda dvd, mas aí já estávamos no ano 2000. Até aí, já eram dezenas de fitas de vídeo da Lulu. Viva o You Tube!!!
Por isso aproveitem esse mel na chupeta, que não tem desculpa. Fora isso, não deixem de ler muito. Beijos!!!

28 de jan de 2013

Edição de música árabe?



Siiiim!
Pois bem, aceitando a sugestão da Lory, amiga bailarina para a qual editei uma música, estou me disponibilizando profissionalmente para isso. Pois já faz alguns anos, comecei a fazer minhas próprias edições e para o grupo Masala também. Meu marido é músico, manja de produção e me ensinou toda a letra. Então, por que não?
Até porque, acho que pra quem não tem um ouvido acostumado com nossas músicas, às vezes não entende quais as partes que são importantes na estrutura da música oriental.
Tem música que realmente não dá muita opção, mas não custa tentar. Afinal, quando a gente embesta com uma, qualquer minuto a menos que não a desconfigure, já facilita o uso! E também tem a possibilidade de fusões, principalmente em tribal, se usa muito. Veja o exemplo abaixo.
Então, aguardo vossos contatos, queridas rakassas e tribalescas!

A propósito, tenho uma demonstração, caso queiram avaliar o trabalho. Fiz a junção de duas músicas, ajustando cortes e sobreposições alternados.

Edição:
http://www.4shared.com/mp3/cA0H5PmT/ritualistica_daiane.html?

Originais:
http://www.4shared.com/mp3/Wf40Tqfh/Tales_Of_A_Mystic_Garden_-_01_.html?
http://www.4shared.com/mp3/bPL3bFIR/Earthbeat_-_Garden_Play.html?