2 de abr de 2013

Lições sobre movimento pra quem perdeu a aula do dia 1/2/13

Esta é uma postagem muito pessoal, que gostaria de compartilhar para que possamos estudar a si próprias, mesmo fora das aulas, como um estudo continuado onde podemos tirar algumas conclusões. Nas minhas aulas eu acho muito interessante quando ouço diversas questões. Sempre explico a princípio, que não há um certo ou errado, mas sim a forma que você deseja alcançar pra sua interpretação, normalmente inspirada em alguma referência conhecida. Depois de um certo tempo a gente começa a notar que mesmo nos movimentos mais simples sempre podemos otimizar e acrescentar leituras diferentes.



Na minha opinião, nós temos que exercitar mais conscientemente os encaixes e pulsações. Mesmo que em grande parte, a característica da dança seja o isolamento da pelve em relação à parte superior do tronco, acho que manter uma ligação de ritmo é necessária, ou seja: mandaram a gente não mexer a parte de cima e assim que conquistamos este feito, tornamos esta parte "realmente" isolada. Uma pedrinha.
O que percebo é que na dança do ventre, os movimentos tem também a característica de partir de um ponto central do tronco, mais precisamente do plexo solar, uma linha que inicia logo abaixo do coração entre as costelas, acima do estômago. A gente consegue ver até pela dobra da roupa, quando se acessa a região.
Quando seu movimento aparenta estar muito fluido, superficial (como um movimento circular ou oito onde falta alguma coisa) é neste centro que buscamos trabalhar parte do movimento. Durante o aprendizado, os movimentos facilmente ganham tamanho e lateralidade, depois, suas linhas se equilibram, mas deixamos de fortalecê-los internamente e perdemos esta dimensão se pararmos por aí. Eles se tornam movimentos periféricos.

Trabalhar abdome e glúteo para dominar bem os movimentos


Imagine seus movimentos como uma extensão deste centro, se desenrolando como o local de onde nasce uma onda, ou um grande coração que quer sair pulando do peito. No báladi ou shaabi e saidi, essa pulsação é constante. O movimento é pequeno. Imagine como ilustraria um ritmo se estivesse sentada!
Sua intenção corporal reverencia o solo, os joelhos se flexionam fazendo uma molinha que segue a batida constante do ritmo. Experimente um ritmo assim, 4/4 e coloque nele apenas duas leituras: a molinha de joelho e o abrir e fechar na altura do estômago, em sincronia. Em seguida caminhe nesta pulsação e você estará desenvolvendo a espontaneidade e a flexibilidade, que pode ser difícil a princípio, pois é o rigor, a responsabilidade e o excesso de disciplina que se manifestaram em seu corpo. Eles precisam ser educados, faça-os compreender que continuarão ali sempre que necessário, não precisam tornar seu corpo uma couraça, um escudo, materializando-se. Insista nisso.
Solte-se, respire, sinta o ritmo, como uma risada gostosa. Imagine suas brincadeiras na chuva, quando criança; a vez que montou um cavalo (ou um camelo, pra quem pódi, hehe), qualquer coisa que você possa associar a esse ritmo com prazer e liberdade.
Claro que você não vai sair pulsando ininterruptamente a qualquer introdução musical, hehehe, mas essa pulsação vai ficar acordada e com livre acesso para que você possa desfrutá-la na dança e interagir com alegria. Ela tem que estar dentro de você.
Aqui um vídeo de bailarinas que usam isso muito bem:


Em clássica, Dina

Em baladi, Aziza Mor


Daria no shaabi

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