28 de dez. de 2012

Calendário de Cursos 2013/1




Vou aproveitar o espaço aqui para esclarecer mais o objetivo de cada curso.
O primeiro curso eu tenho uma resenha pronta aqui. Não deixe de ler os feedbacks que colocarei assim que terminar o terceiro módulo, dia 13 de janeiro.

Sobre Dança Egípcia, nós temos:


Com uma intenção bem clara, neste curso eu ofereço a possibilidade de tornar seu solo mais atraente, sem interferir no seu estilo, apenas mostrando ferramentas que podem ser utilizadas na leitura musical. 
Com estas dicas, não significa que o que já faz seja dispensável ou errado, ou o que será passado vai ser muito difícil. Você se surpreenderá como pode ser tranqüilo e eficiente. Inclusive, tudo pode ser agregado àquilo que você já construiu, dando um "plus".
Não perca essa oportunidade.

Há um curso novo, também incorporando bastante teoria, sobre a elaboração de coreografias, com todos os critérios que podemos utilizar para enriquecer sua elaboração e estrutura; também explico o  método de avaliação que uso, que ajuda a corrigir técnica, expressão e interpretação, entre vários outros quesitos. É um curso para bailarinas que já começaram a investir em suas criações, sob agendamento.
Este conteúdo você também vai encontrar no próximo extensivo, bimestral, do Masala, em Porto Alegre, veja os detalhes no blog clicando no nome.
terceiro é de introdução ao tribal, um curso bem prático, com uma carga horária maior e pode ser feito por quem nunca teve contato com esta dança. Nele falarei sobre as referências de estilo, a música, com seus principais ritmos, consciência corporal que é exigida e as principais possibilidades de fusão.
Sobre as aulas quinzenais, você pode ter uma prévia aqui.





27 de dez. de 2012

Estar em evidência: uma problemática desapercebida

Uma reclamação que sempre ouço nos bastidores das aulas de dança está relacionada ao estar em evidência, principalmente as professoras em relação às suas alunas.
Gostaria de oportunizar um momento de reflexão a todas que se interessam por este assunto e colaborar para  divulgar a necessidade de perceber melhor o que rola em algumas ocasiões.

prepare-se para mais reflexões...
Primeiramente, quero ressaltar que eu mesma tenho aspectos negativos bastante conscientes, que luto para superar e não gostaria que este assunto soasse como algo que usaria pra me engrandecer sobre os outros ou para compensar minhas falhas, apenas gostaria levantar essa questão para que nossa percepção se fortaleça, contribuindo para a maior qualidade da nossa dança e sua didática de forma geral, já que é uma constante queixa entre as alunas.

Então, lá vou eu de novo, abrir minha boca.
Trata-se de a professora estar em evidência de tal forma, que suas alunas se sentem conscientemente subalternas, provocadas na sua estima e se revelando um mal estar em maiores proporções. Trata-se também de qualquer integrante, que busque evidenciar-se perante seu grupo, mas de uma forma que as outras se sintam alienadas com esse comportamento (diferentemente da pessoa que evita aspectos da própria performance, por receio de parecer exibida; esta realmente precisa se envaidecer mais).
No caso da professora, vamos nos colocar na situação de que ela está sempre muitos passos à nossa frente e costuma ser, naturalmente, nosso modelo feminino na dança. A pergunta é: por que sua performance fora do solo, enquanto integrante no grupo e coreografia, precisa ser tão chamativa e diferenciada, ressaltando a obviedade da sua capacidade física, cênica, quando isso pode ser notado da mesma forma, sutilmente?

Para uma aluna que está construindo ou trabalhando seu bom senso e auto estima, ainda é justificado qualquer desequilíbrio, não significando que o mesmo esteja intrínseco na sua personalidade. Mas falando da situação em si, a ultra-evidência faz com que os humores se alterem e destoem imensamente quando em grupo.

Acredito que como bailarinas, temos até mesmo o dever profissional, de brilhar perante os holofotes, mostrar ao máximo a encantabilidade da nossa arte, tendo no nosso solo a "ferramenta" que responsavelmente viabilizamos  à essa contemplação. E por isso coloco tanta lenha na fogueira da expressão, para que isso tudo possa de fato aparecer. O que é bonito deve ser visto, também individualmente.

um lindo solo é tudo de bom!
Acontece que em grupo, as coisas mudam um pouco. Aprendi isso através da dança tribal: você precisa deixar a de lado sua lantejoula particular e sentir que o brilho que há nela deve ser compartilhado e universalizado com o grupo, para que a coreografia se torne "uníssona".
A verdade é que nenhuma das partes deve brilhar mais que a outra de maneira proposital. É necessário uma certa doação ou desapego nesse sentido: saber que você faz um passo muito bem, não significa que tem que ser feito do seu jeito. Não precisa ser feito do jeito errado, obviamente, mas com uma intensidade diferente.
Se o grupo ainda age de uma forma muito sutil com seus movimentos, a menos que ele se adapte fielmente à proposta contrária, vale a pena captar essa energia mais comedida para tentar, aos poucos, equilibrar a intenção, devagar, todas juntas, como um organismo se desenvolve progressivamente. Mais do que isso é forçar a barra, e isso aparece demais. A professora ou a integrante que acabam por não se render a esta idéia, colocam tudo a perder, mesmo com o melhor movimento ou a melhor expressão. Não é legal fazer a galera "sumir" de cena, em função do seu brilho imenso.

Narcisa na hora certa, frô!

Então não há nenhuma boa forma de se evidenciar? Sim, tem os momentos! Fundamentalmente, ao realizar algo mais difícil que esteja no contexto coreográfico, mais em caso de necessidade, mesmo.
Acho muito bonito e interessante as coreografias onde as profes estão bem camufladinhas, nem sempre na frente ou no centro, mas interagindo igual e com o mesmo papel das demais, com equilíbrio na intenção e na qualidade dos movimentos.

"Somos pétalas de uma única flor"
Agora, mudando um pouco a linha, mas que tem a ver também, tenho mais duas propostas de melhoria que acho que vale a pena colocar: esse lance de "o melhor vem no final", nos shows de dança do ventre, tem me incomodado bastante. É como se o aquilo vem primeiro servisse de degrau para Sua Majestade, que entra em cena e "quebra tudo", como se o anterior fosse dispensável. Essas hierarquias de shows precisam mudar urgentemente! A temática é mais importante, e não impede a presença antecipada da "bailarina principal" em meio ao corpo de baile. Uma questão de ética. Aliás, corpo de baile é uma expressão que deve ser mais usada e respeitada entre nós. Vamos acabar com essa coisa de tratar aluna como "súdita"! Se você já foi tratada assim, sabe a merda que é. Não perpetue este comportamento.




E em segundo lugar, não menos importante, o lance da divulgação. Vamos ter mais atenção nisso, pessoal. Tudo bem não querer pagar um profissional qualificado (eu seria suspeita em dizer que sim, pois sou designer tb) mas existem critérios que precisamos respeitar com carinho, no que diz respeito à sua imagem e a dos outros.
Bom senso. Menos é mais.
Para as profes: ou sai sozinha no cartaz ou sai com o seu grupo e suas convidadas no mesmo tamanho, em fotos não apelativas e com alta resolução. Quando digo não apelativa, quero dizer que você não será confundida com propaganda de lingerie ou de massagem for men.  Deu pra entender, né, baby? Pega leve no peitão, naquele pernão rua afora, aquela pose com cara de perigosa...hehehe!!!!

Neste momento, analise friamente e em terceira pessoa, com uma vaidade moderada. A foto tem que ser bonita, pode ser um pouco sexy e tal, mas pense naquelas pessoas que nunca te viram, não conhecem bem a dança  e vão ver você no cartaz: a primeira impressão é altamente comprometedora e pode acabar com a imagem de um show inteiro.
E pra  finalizar: boas fontes (letras), boas cores, sem informação demais ou fotos demais. Aliás, quer saber, fia? Manda fazer mesmo. Escolhe um profissional, avalia o portfolio, dá as coordenadas e paga. O mesmo vale para edição de músicas: dificilmente vai se arrepender.

Bom, depois destas dicas eu espero que a quantidade de reclamações se atenue!!! Quero ver alunas felizes, não só as minhas, mas as suas também, pois juntas, nós somos a Dança!!!!
Beijossss!




10 de dez. de 2012

Vida de bailarina


Anuncio feliz a notícia boa de hoje: minhas queridas amigas e colegas do grupo Masala foram indicadas ao Prêmio Açorianos, um dos maiores prêmios artísticos da nossa região. Quero falar um pouco sobre elas, Bruna Gomes e Fernanda Z. Razi, com muita emoção estou agora, pois me vem na memória tudo aquilo que passamos juntas na nossa caminhada na dança, sempre em busca de um espaço, tentando buscar inspiração para uma arte que sempre nos trouxe tanta satisfação como artistas, mas que nos exigiu sempre um esforço enorme, nosso e de nossas famílias e alunas, para que pudéssemos continuar a carregá-la no colo até que ela pudesse nos carregar um dia...

Muitos micos, muitos desafios, alguns desentendimentos (sempre esclarecidos), muitas falhas, muitas dores, domingos inteiros, muitas noites, nenês chorando, maridos de beiço, babás, vovós cheias de bala, fuscas voadores, viagens intermináveis de trem e ônibus, tudo na verdade maravilhoso quando conquistamos algo mais, e somos humildes, pois o máximo que pedimos em troca é consideração e presença, para contemplar por breves momentos o trabalho de muito tempo de perseverança e cumplicidade com esta arte.

É por  tudo isso que sabemos, pelos nossos encontros, pelas alunas maravilhosas, nossas Pandoras que abriram suas caixas pra nós e viabilizamos mostrar seu conteúdo, pela audácia que temos ao querer que essas caixas sejam abertas e revelem suas maravilhas, seus medos e limitações, para que juntas possamos desafiá-los e transformá-los, por tantas idéias que criam forma, volume e corpo...
...Que eu quero, minhas colegas queridas ( me tornei um ser muito ordinário):  pois não estou satisfeita só com essa indicação. Simplesmente alguma de vocês têm que ganhar. Pro inferno que tem trocentas outras danças ótimas e outros artistas. Eu desejo ardentemente que vocês ganhem.

Mesmo não estando junto no cenário atual, tudo isso que vi vocês construírem me traz um sentimento muito interessante, de que todas as apostas foram ganhas, todas as sementes deram bons frutos e sim, todas as  idéias malucas são muito sérias. E você, Bruna Gomes, deve perpetuar isso. Me identifico contigo pelos mesmos anseios, por nossas pequenas revoltas, por sermos mães e esposas, por gostarmos tanto de se divertir trabalhando e sentir que as pessoas que estão conosco nestes determinados momentos, ao menos, sentem a vida um pouco mais leve. O que sai das tuas mãos revela uma sinapse com a música e com a mente das pessoas que elas passam a reconhecer uma harmonia antes misteriosa dentro delas, que nem haviam se dado conta.  A tua criatividade, beleza e ousadia não existem em outra bailarina.

Fernanda, seu nome deveria significar "aquela que segue o rumo do seu coração". Se encaixa perfeitamente contigo: sua fé, força interior, perseverança, comprometimento (a Fê trabalha como se fosse numa empresa: prestando conta e batendo ponto, sempre no horário e levantando cedo), te fará uma grande mestra. Apesar da tua humildade exemplar, sei que o universo trabalha para isso e assim será, com todo respeito e merecimento. E toda sua criação que se materializa, tem uma qualidade e uma convicção que não se encontra em outro lugar. É a perfeita ordem de tudo aquilo que queremos ver.

A riqueza da individualidade de vocês, quando se compartilha e se exterioriza, se transforma em genialidade. Por isso nasceram e vivem como artistas. Nada é por acaso. Amo vocês. Saudade!!!