8 de dez de 2012

Mais sensualidade...

Olha só, essa questão da sensualidade é muito interessante mesmo! No ponto de vista de algumas artistas, a sensualidade e o erotismo não são características fundamentais na dança e acho que entendi o por quê elas tem essa opinião.
Como já disse antes, este aspecto ainda se encontra como um tabu, como se o "sentir" a dança passasse sempre longe desse conceito. Há alguns tempos atrás talvez eu concordasse inteiramente, mas do alto dos 33 anos sendo um terço deles dançando, eu percebi que a própria atitude de dançar, a busca pelo aprendizado e inclusive o ensino da dança são de uma pureza instintiva, uma natureza feminina muito erótica no sentido de conquistar-se, e, mesmo inconscientemente, a bailarina deseja um feedback, um retorno dessa capacidade, como uma afirmação, talvez por isso, a importância do reconhecimento e do aplauso.

Aí você diria que dança para si e não para os outros, que sua dança é uma ligação com algo maior, mais elevado e eu concordo, mas no momento em que se entra em fluxo com a música, a sensação pode ser orgástica ou resultado de uma grande translação/sublimação, acabamos por confundir um pouco as coisas, sendo que tudo vem de uma raiz. Existe prazer espiritual no louvor, na reverência, no fluxo.
 Como explicar o prazer que se sente ao dançar, de onde vem, qual a raiz?
A conclusão que eu cheguei é que mesmo tendo por objetivo um envolvimento mais espiritual, um propósito "sem impurezas mundanas", a forma de canalizar esta energia vem de um aspecto muito primitivo que tem a ver com a busca pelo prazer instintivo (ou libido, sim), que move o ser humano a ser criativo e buscar diversas orientações artísticas, profissionais e sexuais  para se satisfazer e continuar na busca pela auto realização. Tudo começa no chacra básico (ou cardíaco), mas não há como pular um ou outro quando o objetivo é realinhar, equilibrar, alcançar determinado nível.

Arte é a mistura do racional com o intuitivo, um sem o outro dá em nada. Então não há dança sem libido, sem uma paixão que move, sem volúpia. É nesse sentido a sensualidade que falo, que pode e deve ser exteriorizada, e não a figura da bailarina estonteante que seduz sexualmente com este propósito consciente. Agora, é importante reconhecer a existência deste arquétipo para a analisá-lo e recolher pontos positivos a favor de quem não tem um acesso claro sobre como trazer à tona e conscientemente a livre expressão de prazer ao dançar. Encaremos isso não como via de regra, mas como uma alternativa, uma possibilidade, que nos dê um ponto de partida mais esclarecedor sobre a auto expressão.

Um comentário:

Samara disse...

A questão é delicada, mas realmente nem é tão complexa. A sexualidade e a sensualidade são sagradas, por isso faz realmente todo sentido que a dança seja sensual também.
O problema é que para lidar com o sagrado, é preciso correção e caráter. E não existe nada mais raro nesse momento em que somos criadas por uma mídia que vende pornografia por erotismo.
A diferença entre uma artista em êxtase (sexual, que seja, nada contra) com sua arte no palco e a guriazinha que usa sua sensualidade - nesse caso, muito mais a flor da pele que aprofundada - para provocar os companheiros das outras mulheres na platéia é a questão central de tudo. Ou da mocinha que anuncia abertamente sua capacidade de contratura pélvica ganha no exercício da dança como anúncio sexual. É a diferença entre tomar uma hóstia ou traçar uma fatia de picanha no churrasco. Transformar-se de artista em pedaço de carne. Não é tão tênue assim o limite entre arte e putaria.
A questão é que muito poucas querem olhar para isso. Ninguém quer se corrigir ou modificar. E a sensualidade rasa é muito mais fácil de obter que a conexão profunda.
Sem querer ser grosseira, putaria é muito mais fácil e mais lucrativa de fazer do que arte.
A questão é simples. São só nossos anos de aculturamento cristão que confundem a idéia do prazer sagrado e, ao contrário do pretendido, acabam estimulando a vadiagem generalizada.
Uma artista se faz com muito mais que movimentos de quadril. É preciso uma alma dentro deles. Entregue e pura. Senão, vira isso aí que se vê todo dia.